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O “Moderno” Líder Sufi Tabandeh

Fonte/Source: Sufismo Sem Camuflagem (Muito Além de Stephen Schwartz)


O “Moderno” Líder Sufi Tabandeh

Por Tiao Cazeiro

Evitei propositadamente comentar o artigo “Xiismo, Sufismo e Gnosticismo”, traduzido e publicado recentemente neste blog, para que todos pudessem refletir sem nenhuma influência.

A maioria das pessoas tem opinões a respeito de muita coisa, entretanto o que diferencia uma das outras são as camadas sedimentadas de interpretações prévias que atuam sem que a gente se dê conta disso. De qualquer forma, o importante é identificar esses pensamentos sedimentados, e ter coragem de enfrentar os fatos, a dura realidade, como num xeque-mate.

O próprio Sufi Tabandeh, um moderno líder Sufi Iraniano, um homem extremamente culto, — com Ph.D em Direito pela Universidade de Paris (1957), — venerado e chamado de, se estou correto, His Holiness Hajj (Sua Santidade Peregrino), descreve os estágios gnósticos (‘irfani) no artigo “XIISMO, SUFISMO E GNOSTICISMO”. Eis aqui um pequeno trecho:

“Ele só sabe que é um ponto preto, na medida em que sabe apenas que há algo lá. Quando se aproxima mais um pouco, vê que esse ponto preto se torna uma linha reta. Então ele reconhece, isto é, adquire a gnose, de que aquela coisa longe é um corpo longo.”

Em outras palavras, diante da crise atual no Irã, observar a famosa comunidade Dervish Gonabadi, como o ponto preto, — que está mais uma vez sob pressão total do regime opressor Iraniano e literalmente em guerra nas ruas para proteger o seu símbolo maior, o famoso Sufi Tabandeh, com 90 anos, — desperta simpatia pelos Sufis e o desejo sincero de que consigam orientar o povo Iraniano diante de tanta opressão e tristeza.

Por outro lado, como nos estágios gnósticos, quanto mais avançamos e mais próximos ficamos dos Sufis, percebemos que aquele ponto preto é uma linha reta, e que aquela coisa longe nada mais é do que um corpo longo e cheio de ódio contra os não-Muçulmanos, e isto, infelizmente, derruba de vez a ideia de que o Sufismo é a “tradição pluralista e tolerante do Islã”.

Em “O Lado Sinistro do Sufismo” vimos que

“Durante séculos o credo e a música Sufi vêm repercutindo como grandes símbolos de espiritualismo, promoção de paz e harmonia entre os Hindus e os Muçulmanos. O conceito inteligentemente marketeado da espiritualidade Sufi tem sido inquestionavelmente aceito como marca da unidade Hindu-Muçulmana. Mas como acontece com a maioria dos mitos, a história se torna a primeira vítima.” —  Ram Ohri – IndiaFacts (Truth Be Told)

O excerto a seguir, retirado do brilhante artigo escrito por Robert Spencer intitulado “SUFISMO SEM CAMUFLAGEM (MUITO ALÉM DE STEPHEN SCHWARTZ)”, traduzido e publicado neste blog, mostra claramente o lado sinistro da Sua Santidade Peregrino Dr. Nour Ali Tabandeh. Infelizmente, e com todo respeito, o Sufismo está longe da “gnose” que as pessoas imaginam ou gostariam de ver.

É pertinente perceber que enquanto uma revolução acontece no Irã, matando e torturando dezenas de pessoas, podendo chegar a centenas, o mundo apoia o população Iraniana, principalmente as mulheres, enquanto as lideranças Muçulmanas e parte da população despejam ódio contra os não-Muçulmanos.


SUFISMO SEM CAMUFLAGEM
(MUITO ALÉM DE STEPHEN SCHWARTZ)

Por Robert Spencer – Jihad Watch

Tabandeh — His Holiness Hajj Dr Nour Ali Tabandeh (Majzoob Ali Shah)

Este moderno líder Sufi escreveu um tratado inteiro contra vários elementos da Declaração Universal dos Direitos Humanos por estarem em desacordo com a Lei Islâmica: uma “Perspectiva Islâmica“, na Declaração Universal dos Direitos Humanos [3]. Segundo o Professor Eliz Sanasarian da Universidade de Southern California, que analisou a situação das minorias religiosas da República Islâmica, o prospecto de Tabandeh se tornou “o núcleo do trabalho ideológico sobre o qual o governo Iraniano… baseou a sua política aos não-Muçulmanos.” [4] Suas visões sobre os não-Muçulmanos, diz Sanasarian, foram postas em práticas “quase que literalmente na República Islâmica do Irã.” [5]

Tabandeh inicia sua discussão louvando o Shah Ismail I (1502-1524), o fanático, repressor e fundador [6] da dinastia Safavid, como um campeão “dos oprimidos.” [7] Ele reafirma a inferioridade tradicional dos não-Muçulmanos em relação aos Muçulmanos como sacralizada pela Sharia:

Assim, se [um] muçulmano comete adultério, sua punição é: 100 chicotadas, raspar a cabeça, e um ano de exílio. Mas, se o homem não for Muçulmano e comete adultério com uma mulher Muçulmana à grande penalidade é a execução… Da mesma forma, se um Muçulmano deliberadamente assassinar outro Muçulmano ele cai sob a lei de retaliação e deve por lei ser condenado à morte pelo parente mais próximo. Mas, se um não-Muçulmano morrer nas mãos de um Muçulmano e que por hábito, ao longo da vida, foi um não-Muçulmano, a pena de morte não é válida. Em vez disso o assassino Muçulmano deve pagar uma multa e ser punido com o chicote. [8]

Como o Islã considera os não-Muçulmanos em um nível mais baixo de crença e convicção, se um Muçulmano matar um não-muçulmano…  então sua punição não deve ser a morte retaliatória, uma vez que a fé e a convicção de que possui é mais elevada do que a do homem morto…  Mais uma vez, as punições ao culpado não-Muçulmano por adultério com uma mulher Muçulmana são aumentadas porque, além do crime contra a moral, o dever social e religião, ele cometeu um sacrilégio; ele desgraçou um Muçulmano e, assim, lançou desprezo sobre os Muçulmanos em geral, e por isso deve ser executado. [9]

O Islã e os seus seguidores devem estar acima dos infiéis, e nunca permitir que não-Muçulmanos adquiram domínio sobre eles. Desde o casamento de uma mulher Muçulmana com um marido infiel (de acordo com o versículo citado: ‘Os homens são os guardiões das mulheres’) significa que sua subordinação a um infiel, de fato, torna o casamento anulado, porque não obedece às condições previstas para fazer um contrato válido. Como na Sura (. ‘A Mulher para ser Examinada’, LX v 10), afirma: ‘Vire-as, mas não de costas para os infiéis: pois não são lícitas a infiéis nem são os infiéis lícitos a elas (ou seja, no casamento). [10]

Tabandeh não é uma aberração entre os Sufis. Ele segue a tradição dos Sufis Turcos dervixes cujo fanatismo violento contribuiu para a Islamização forçada dos Cristãos nativos da Ásia Menor (consulte a documentação abundante sobre isto no monumental trabalho de pesquisa do Professor Speros Vryonis intitulado The Decline of Medieval Hellenism in Asia Minor and the Process of Islamization from the Eleventh Through the Fifteenth Century”, Berkeley, 1971, pp. 340-43, e especialmente o capítulo 5, pp. 351-402).

Tabandeh deve também, sem dúvida, ter observado com aprovação os prospectos contra os não-Muçulmanos produzidos por proeminentes teólogos Sufis Indianos no séculos 17 e 18, incluindo professores Sufis, tratados como celebridades, como Sirhindi e Shah Walli Allah.


 

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SERÁ QUE “SUFI ISLÔ CURA TUDO?

Fonte/Source:  Could Sufi Islam be the cure-all?  — Qantara.de


Por Tiao Cazeiro

O artigo “Será Que “Sufi Islã” Cura Tudo?” a seguir, foi escrito por Syed Qamar Afzal Rizvi, um pesquisador independente com base no Paquistão. Sua pesquisa centra-se na prevenção de conflitos, no direito internacional, nos estudos de guerra e em outras questões importantes relacionadas ao sul da Ásia, Oriente Médio, União Europeia, Nações Unidas e política externa dos EUA.

É uma excelente oportunidade para que percebam a mentalidade Muçulmana do ponto de vista Sufi. O autor com certeza não é uma pessoa desinformada e provavelmente pertence a alguma Ordem Sufi.

Lembro bem que quando comecei a escrever e traduzir artigos sobre o Islã eu disse o seguinte:

A princípio, rezar para o mesmo Alá (e o seu Mensageiro Muhammad) e ser diferente, soa como se um galho de árvore pudesse dizer à própria árvore: “Não sou como você!”

Alguns dos artigos que traduzi sobre os Sufis, listados a seguir, mostram claramente que a ‘Tradição Sufi’ não conseguirá se desprender do Islã Político com facilidade, mesmo que porventura tenha surgido, como é dito, muito antes de Jesus Cristo etc.

Eis a lista de artigos para quem quiser ler…

1 – XIISMO, SUFISMO E GNOSTICISMO
2 – O Moderno Líder Sufi Tabandeh
3 – O Lado Sinistro do Sufismo
4 – JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR
5 – Sufismo Na Índia — Uma História Sangrenta
6 – Sufismo Sem Camuflagem (Muito Além de Stephen Schwartz) 
7 – A INVASÃO ISLÂMICA DA ÍNDIA: O MAIOR GENOCÍDIO DA HISTÓRIA

Mas interessante mesmo é ouvir que Muhammad (ou Maomé) foi o primeiro Sufi…

“Assim sendo, o primeiro Sufita ou Sufi foi Al-Mustafa (o Escolhido [Profeta Muhammad (Maomé)]), visto ter sido este o primeiro a entrar em retiro, o que aconteceu no Ghar (Monte) de Hira, onde tinha por hábito deslocar-se para meditar (yatahannath) e adorar a Deus, isto de acordo com a religião do nosso Mestre Abraão…” — O Sufismo (Tasawwuf) (YA)

Veja, mesmo que a tradição tenha surgido antes de Cristo não altera o fato, como por exemplo, do estrago que os Sufis e os exércitos Muçulmanos fizeram na Índia.

Brasileiros envolvidos com o Sufismo precisam perceber que estão refletindo 1400 anos de história, onde a escravidão e o massacre de milhões de infiéis deixou uma mancha monstruosa no Islã, envolvendo os Sufis de alguma forma.

Existe uma correlação direta entre a ignorância Ocidental da história e a ignorância Ocidental das doutrinas “problemáticas” do Islã. É essa conexão que permite aos apologistas do Islã escaparem com tantas distorções e mentiras definitivas destinadas a proteger o Islã.” — Raymond Ibrahim

Com relação ao artigo a seguir, vou fazer apenas dois comentários que considero centrais, para orientar a leitura do artigo:

  1. Diz o autor…

1 -“Todas as organizações Islâmicas terroristas existentes hoje em dia estão baseadas nessa interpretação política do Islamismo. Existe uma dimensão cultural na globalização, sobre a qual muitos Muçulmanos têm uma consciência aguda.”

2 – “Duas grandes tendências surgiram como resultado: domínio e submissão [Ênfase adicionada] 

O primeiro caso soa mais ou menos assim: ‘Olha, é verdade que os terroristas se baseiam nos textos sagrados, mas sabe, não é bem assim não, calma lá, “existe uma dimensão cultural na globalização“, ela sim é  a culpada de tudo e está invadindo o Islã, pervertendo a juventude, e está atrapalhando a missão Islâmica de dominar o mundo.

No segundo caso, domínio e submissão, não é e nunca foi uma “tendência“, é simplesmente obrigatório, mandatório, imperioso, imposto e prescrito por Muhammad aos seus seguidores.  Não preciso citar algum verso do Alcorão, preciso?

Embora o autor mencione os textos sagrados no artigo, dizer que “parece não haver uma justificativa válida” é demais. Os Sufis falam de “paz e amor”, mas não mencionam o grau de violência contra os infiéis (não-Muçulmanos) que vemos no Alcorão, Sira e Hadith ou na própria história.

  1. Diz o autor…

De qualquer forma, os esforços iniciais por parte dos principais teólogos Muçulmanos ao responderem às interpretações literais das escrituras, aceitaram implicitamente a insistência dos extremistas [sic] de reduzir a tradição religiosa a um único conjunto de textos.”

Louváveis ​​e necessárias como tais respostas são, há algo desconcertante sobre o Grande Mufti do Egito rejeitando interpretações extremistas [sic] dos versos Corânicos porque não representam o “verdadeiro” Islã — como se realmente houvesse apenas um modo autêntico de ser “verdadeiramente” Muçulmano.”

Eis aqui o que realmente disse o Grande Mufti de Al Azhar, Egito:

Quando eles [os reformadores] dizem que Al Azhar deve mudar o discurso religioso, mudar o discurso religioso, isso também é, quero dizer, eu não sei — um novo moinho de vento que acabou de aparecer, este “mudar o discurso religioso” — o que muda um discurso religioso? Al Azhar não muda o discurso religioso — Al Azhar proclama o verdadeiro discurso religioso, que aprendemos com os nossos anciãos.” — Al Azhar Rejeita Reforma do “Discurso Religioso” 

Robert Spencer ainda diz mais sobre o Grande Mufti de Al Azhar:

Esta é outra afirmação estranha: é o Estado Islâmico (ISIS) que mais critica o uso livre do cérebro e insiste em seguir servilmente os ensinamentos desses livros auxiliares — que ensinam qualquer coisa, desde comer carne de cativos infiéis até vender mulheres e crianças em mercados de escravos.

Ou seja,  um grupo (que o autor chama de ‘extremistas’) quer reformar os textos sagrados, e o autor apoia.  O tal do Grande Mufti do Egito rejeita qualquer alteração nos textos, e Robert Spencer aproveita para mostrar que o ISIS atua apoiado nos textos que o Mufti não quer alterar. Então, pela lógica, Al Azhar apoia o ISIS, consequentemente o ISIS representa o verdadeiro Islã.  E agora? Como dizem por aí, durma com um barulho desse!

Não se iludam com a conversinha Sufi (me refiro aqui aos Mestres Sufis e não aos seguidores pelos quais tenho respeito porque a grande maioria não conhece a história), não existe ingenuidade nessa narrativa e os Sufis não conseguirão se deslocar disso tudo com facilidade. Quando o autor cita “Jimmy Hendrix”, você verá isso no artigo a seguir, mostra claramente ao que veio. Quando cita famosos como Winston Churchill, Sir Richard Burton, não irá mencionar que Churchill bateu feio no Islã.

Os Sufis como sempre buscam o privilégio, a alta sociedade, o luxo, a alta cultura para alavancar a causa Islâmica, para Islamizar, abrir as portas para o Islã como fizeram na Índia e como estão fazendo em Londres, vide Príncipe Charles etc.. A Wikipédia mostra os dervishes assim: “os dervixes são similares às ordens mendicantes dos monges cristãos e dos sadhus hindus, …” o que não é falso dizer, mas estamos falando das lideranças, dos espertos.

Tudo que envolve os Sufis é o melhor dos mundos, o mais que perfeito, a grande luz da humanidade, os únicos que sabem o que realmente  “estar com Deus”. Quando falam em música então, consideram a música Sufi a mais profunda, a melhor coisa deste mundo. Rumi, o maior de todos etc., o amor que só os Sufis conseguem sentir… o amor divino etc., o resto é o resto.

É o “povo das necessidades especiais” e agora, de acordo com o autor do artigo a seguir, “eles (os Sufis, ou melhor os Dervishes) precisam ser divulgados nas escolas e nos púlpitos das mesquitas, e ter acesso privilegiado às redes de televisão em todo o mundo.” Pura sandice, beirando a infantilidade, e ainda por cima mostra desespero, pois o barco está afundando. [Ênfase adicionada]

Sim, lembrei neste exato momento, muito obrigado!

Dr. Bill Warner: “Então, lembra-se do que eu lhe falei sobre a casa do Sufismo, que era um palácio com um cheiro vindo do porão?


SERÁ QUE “SUFI ISLÔ CURA TUDO?

Por Syed Qamar Afzal Rizvi

6 de Fevereiro de 2018 (Publicado originalmente em 29/04/2016)

Estudantes e pesquisadores Islâmicos concordam que o Sufismo tem o potencial de curar aqueles cujas mentes foram pervertidas pelo terrorismo. Sufis famosos das gerações anteriores inclui Rumi, Omar Khayyam, Fariduddin Attar — cujas histórias foram usadas mais tarde por Chaucer — e o Espanhol Averroes, o “excelente comentarista” de Aristóteles.

Muitas de suas ideias chegaram à Europa através do contato entre os mundos Islâmico e Cristão nos estados cruzados, Normando da Sicília e a Península Ibérica.

Desde o início, o Sufismo tem se preocupado em construir pontes entre as comunidades, promovendo o contato em benefício mútuo dos envolvidos. No Ocidente, pessoas tão diversas como Dag Hammarskjold, São Francisco de Assis, Sir Richard Burton, Cervantes e Winston Churchill foram todas influenciadas pelo Sufismo.

A interpretação Sufista do Islamismo é considerada moderada porque, em vez de se concentrar no estado, concentra-se nas dimensões internas do Islamismo e na purificação da alma. Nas últimas décadas, no entanto, os seminários Sufis começaram a ensinar uma interpretação mais política do Islã, alimentando o atual domínio do último.

Jalal ad-Din Muhammad Rumi (fonte: Wikipedia)
Pioneiros do Sufismo acadêmico: muitas das ideias promulgadas pelos grandes místicos como Jalal ad-Din Rumi, Omar Khayyam ou Fariduddin Attar chegaram à Europa através do contato entre os mundos Islâmico e Cristão nos estados cruzados, Normando da Sicília e Península Ibérica, influenciando muitas das grandes figuras históricas do Ocidente.

ISLAMISMO POLÍTICO E AS RAÍZES DO RADICALISMO

Todas as organizações Islâmicas terroristas existentes hoje em dia se baseiam nessa interpretação política do Islamismo. Existe uma dimensão cultural na globalização, sobre a qual muitos Muçulmanos têm uma consciência aguda. Eles sentem que os tipos de valores e ideias, as noções de viver — que emanam do Ocidente e que começam a penetrar em suas sociedades, influenciando sua juventude em particular — são prejudiciais. Alguns dos aspectos mais óbvios ligados à música, formas de dança e filmes etc. são vistos como prejudiciais à sua própria cultura e identidade.

Duas grandes tendências surgiram como resultado: domínio e submissão.

Em geral, o domínio tem conotações negativas. Os Muçulmanos desenvolveram uma consciência aguda da dominância e são altamente sensíveis a isso, às vezes reagindo com agressão. Embora podemos apreciar as circunstâncias históricas que possam ter dado origem a algumas dessas tendências, parece não haver uma justificativa válida, nem do ponto de vista Islâmico nem da perspectiva das relações interculturais.

Atualmente, a tendência à submissão, no sentido de submeter-se a Deus [sic], permanece muito fraca. Esses Muçulmanos acreditam que, no meio da globalização, é necessário reafirmar a essência do Islamismo. E este é o seu universalismo, a inclusão, a atitude de acomodação, a capacidade de mudar e de se adaptar, mantendo a essência da fé.

Em outras palavras, a fé é algo verdadeiramente ecumênico e/ou universal. Você encontrará adeptos dessa tendência em quase todos os países Muçulmanos, embora continue à margem.

DESARMANDO A BOMBA

Todos falamos sobre o desarmamento nuclear, mas se alguém nos dissesse que existe uma bomba mais forte que a nuclear, tiquetaqueando, ameaçando a cada segundo, essa é a bomba da total depravação. Quando os indivíduos se inclinam para os degraus mais baixos da natureza humana, tornam-se mais perigosos que os animais mais selvagens. E quando o vírus da “contumácia egoísta” [sic] (rebelião teimosa contra a autoridade) infecta o seu ser, tornam-se mais voláteis do que o dispositivo mais explosivo.

A abordagem mística nos convida a considerar o desarmamento da humanidade. Somente por meio de um compromisso ativo, podemos neutralizar todas as armas à disposição dos terroristas. Como disse Jimi Hendrix com sabedoria:

“Quando o poder do amor superar o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz”.

É hora dos Muçulmanos de todo o mundo tomarem uma posição unida contra as interpretações políticas do Islamismo e iniciarem um processo de reforma. Do mesmo modo, o sistema de educação religiosa também precisa de uma revisão profunda, uma vez que fornece terreno fértil para todas as organizações terroristas.

Lendo o Alcorão na Mesquita Sehitlik em Berlim (foto: dpa / aliança de fotos)
O terrorismo não tem religião: “Os Muçulmanos precisam combater a ideologia Islâmica com uma interpretação pacífica e tolerante do Islã. Juntamente com a comunidade internacional, é imperativo que os Muçulmanos lutem contra essa ideologia política, que tem causado danos sem precedentes a muitos dos seus semelhantes fiéis”, escreve Syed Qamar Afzal Rizvi

Muçulmanos precisam combater a ideologia Islâmica com uma interpretação pacífica e tolerante do Islamismo. Juntamente com a comunidade internacional, é imperativo que os Muçulmanos lutem contra essa ideologia política, que tem causado danos sem precedentes a muitos dos seus semelhantes fiéis.

DISCURSO ORIENTE-OCIDENTE

A prevenção do extremismo não é algo que conseguiremos realizar durante a noite. Temos que construir uma estratégia que transcende gerações. A segurança é o primeiro dever de todos os governos, entretanto um poder coercitivo por si só jamais será uma resposta completa.

Nos debates em curso sobre como responder ao Islamismo extremista, foi dado pouca atenção ao vasto e profundo repertório da filosofia Sufi, dos rituais e até mesmo das obras artísticas, que acompanhou os séculos mais iluminados da “civilização Muçulmana”.

De qualquer forma, os esforços iniciais por parte dos principais teólogos Muçulmanos ao responderem às interpretações literárias das escrituras, aceitaram implicitamente a insistência dos radicais em reduzir a tradição religiosa a um único conjunto de textos.

Louváveis ​​e necessárias como tais respostas são, há algo desconcertante sobre o Grande Mufti do Egito rejeitando interpretações radicais dos versos Corânicos porque não representam o “verdadeiro” Islã — como se realmente houvesse apenas um modo autêntico de ser “verdadeiramente” Muçulmano.

A potência do Sufismo pode estar na sua capacidade de lembrar aos Muçulmanos (e aos não-Muçulmanos) que, mais do que as palavras literais de um texto sagrado, o Islã tem sido durante mil e quinhentos anos uma experiência de vida, com toda a variação cultural e intelectual que isso implica. Há 15 milhões de Sufis em todo o mundo, com Damasco e a sua Grande Mesquita Umayyad como sua capital. Eles precisam ser divulgados nas escolas e nos púlpitos das mesquitas, e ter acesso privilegiado às redes de televisão em todo o mundo.

Protestos em Lahore contra o ataque terrorista na Universidade Bacha Khan em Charsadda (foto: Reuters / M. Raza)
É tempo para uma ação conjunta: eventos na França, Turquia e na Bélgica, para não mencionar os recentes ataques terroristas em Lahore e no Paquistão, são certamente um despertar. Oriente ou Ocidente, a verdade é que combater o terrorismo continua sendo uma tarefa gigantesca.

SINERGIAS NECESSÁRIAS

Existem três modalidades importantes. Em primeiro lugar, não podemos ignorar o fato de que é uma luta sobre ideias que se baseiam em uma perversão da religião. Nesta batalha, a única solução duradoura pode ser uma que compreenda, aborde e levante as próprias ideias. Em segundo lugar, compreendendo que este é um desafio geracional, precisamos implementar a reforma já, para que a próxima geração tenha entendimento e habilidade necessária para criar resiliência perante ideias extremistas.

Finalmente, não devemos subestimar a necessidade de combater os problemas juntos.

As decisões difíceis e necessárias abordadas aqui, e as opções políticas associadas a elas, não são irrealistas e levam em consideração o espectro completo dos desafios. Devemos reconhecer o que funciona, e sempre que houver um impacto positivo, devemos procurar replicá-las.

É necessário uma ação estratégica que possibilite a implementação das soluções que são tanto de longo prazo quanto caracterizadas pela continuidade e consenso. O terrorismo não tem religião. Os sistemas educacionais Ocidentais e Orientais precisam ser atualizados com o credo do ‘Sufi Islã’, que defende o ensino universal sobre a humanidade.

Os governos de leste a oeste terão que trabalhar arduamente para construir coalizões para este trabalho, não apenas dentro da sociedade, mas também no âmbito transgovernamental. Prevenção do extremismo é um dos maiores desafios que enfrenta esta geração e a próxima. Se não o enfrentarmos juntos, com urgência, nosso futuro como uma comunidade global será muito sombrio.


Syed Qamar Afzal Rizvi –  © MPC Journal 2016

Syed Qamar Afzal Rizvi é um pesquisador independente com base no Paquistão. Sua pesquisa centra-se na prevenção de conflitos, no direito internacional, nos estudos de guerra e em outras questões importantes relacionadas ao sul da Ásia, Oriente Médio, União Europeia, Nações Unidas e política externa dos EUA.


Tradução: Tiao Cazeiro — Muhammad e os Sufis

XIISMO, SUFISMO E GNOSTICISMO

Fonte/Source: Shi‘ism, Sufism and Gnosticism


Por Tiao Cazeiro

A comunidade Dervish Gonabadi está mais uma vez sob pressão total do regime Iraniano, literalmente em guerra nas ruas. Ativistas publicaram imagens recentes (3/2/18) mostrando membros da comunidade impedindo a prisão do famoso líder Sufi Dr. Noor Ali Tabandeh, pelas forças de segurança do estado, a IRGC Basij.

Ridicularizando o que ele descreveu como “comportamento provocativo”, o líder de 90 anos dos Dervixes de Gonabadi citou em sua mensagem de voz: “Muito trabalho foi feito para manter a paz no país, embora às custas de ser espancado em nossas cabeças; ainda assim, o país está calmo, mesmo assim. Não o perturbe [a paz] em vão. Não há ninguém que ameace minha vida ou minha casa. Eles querem um show off. Esta é uma abordagem errada.”


XIISMO, SUFISMO E GNOSTICISMO

Por Dr. Hajj Nour Ali Tabandeh

Dr. Hajj Nour Ali Tabandeh

Xiismo, Sufismo E Gnosticismo [1]

“Meu Senhor! Expande meu peito, e facilite o meu trabalho, e afrouxe o nó na minha língua para que possam entender o meu discurso.” [2]

Com relação ao Xiismo e o Sufismo — duas palavras denotando a mesma realidade, entretanto, scholars contemporâneos, especialmente os Ocidentais, têm cometido vários erros.

Esses erros foram cometidos por ignorância ou intencionais. Desde o começo, a missão de alguns era criar corrupção dentro do Xiismo e instigar o sectarismo dentro do Islã, fornecendo informações ao seu próprio aparato colonialista. Muitos chegaram à mesma conclusão com sinceridade, embora fossem explorados por outros.

O primeiro erro que cometeram sobre esse problema foi no que diz respeito à data do surgimento histórico do Xiismo. Alguns dizem que começou após o falecimento do Imam ‘Ali, que a paz esteja com ele. Outros dizem que apareceu após o martírio do Imam Husayn, que a paz esteja com ele. Há outras opiniões desse tipo também. Seu erro é fazer confusão entre a aparência de um nome com a aparência de sua denotação. Enquanto um nome pode aparecer ou ser aceito em qualquer momento, não desempenha nenhum papel na questão principal. Quando uma escola de pensamento está em questão, não se deve prestar atenção a meros rótulos. Da mesma forma como os Xiitas eram às vezes chamados de Xiitas de ‘Ali e às vezes de Shu’ubites [3], porque os Xiitas se apegaram a este verso do Alcorão em que Deus [sic] diz:

[Alcorão 49:13] Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente.” [4]

Isso porque havia não Árabes que se converteram ao Islã e que esperavam que não houvesse diferença entre eles e os Árabes. Infelizmente no entanto, entre os califas, com exceção do Imam ‘Ali e o Imam Hasan, tais diferenças eram mais ou menos feitas. Em reação a isso, os Xiitas se referiram a esse verso. Havia também uma período durante o qual eram chamados de Rafidi, que significa “aqueles que abandonaram sua religião.” Deste modo, os Xiitas foram chamados por uma variedade de nomes, mas, como foi mencionado, a aparência de um nome não é motivo para a ausência anterior de denotação.

[1] Este artigo foi escrito em resposta a uma carta inquirindo sobre as relações entre Xiismo, Sufismo e Gnosticismo. O autor se explicou em linguagem simples a pedido do correspondente. Foi publicado em Persa no Journal Erfàn-e Iran, (2000) Vol. 2, nº 7, 11-23.

[2] Alcorão (20: 25-28)

[3] Esta palavra vem de sha’b que significa povo, nação ou tribo. [Tr.]

[4] Alcorão (49:13).

Gonabadi Dervishes Celebrando Eid Al-Fitr em Teerã, Capital do Irã.

Temos que observar a diferença entre as visões Xiitas e Sunitas dentro do Islã, e quais são os princípios para que possamos discernir quando o Xiismo se originou, com base no surgimento de seus princípios.

Após o falecimento do Profeta (Muhammad/Maomé), ‘Ali, ‘Abbas, o tio do Profeta, e talvez algum dos outros Hashimites ocuparam-se com o enterro. Enquanto estavam ocupados, um grupo reuniu-se em um lugar conhecido como Saqifah Bani Sa’idah, e nomearam Abu Bakr como califa em um processo narrado na história. Assim Abu Bakr tornou-se o primeiro califa. Depois de Abu Bakr, ‘Umar tornou-se califa e depois dele ‘Uthman. O quarto foi ‘Ali, que a paz esteja com ele.

Desde o início, após o falecimento do Profeta, aqueles que desaprovaram o evento de Saqifah Bani Sa’idah disseram que, assim como o Profeta não foi selecionado por nós, mas escolhido por Deus, da mesma forma, seu sucessor não deveria ser selecionado pelas pessoas, e as pessoas não têm o direito de fazer isso, mas deveria de acordo com a vontade de Deus.

Eles continuaram, pois o nosso Profeta é o último dos profetas, não há mais revelações, mas, porque qualquer coisa que o Profeta disse equivale à revelação, como é explicitamente afirmado pelo verso “Nem fala por capricho. Isso não é senão a inspiração que lhe foi revelada.” [5] aquele nomeado pelo profeta é nomeado pelo próprio Deus. O Profeta nomeou ‘Ali para ser seu sucessor em vários momentos durante sua missão. Portanto, o sucessor do Profeta é ‘Ali, e não alguém nomeado pelo povo.

Aqueles Sunitas que aceitam o evento de Saqifah dizem que, como as pessoas estavam reunidas lá e escolheram o califa, a escolha deles é válida, e ele é o califa (embora, essa posição também tenha sido criticada, já que todas as pessoas ou os chefes e tomadores de decisão não estavam presentes).

Historicamente falando, não há dúvida que depois do Profeta, Abu Bakr, em seguida ‘Umar, em seguida ‘Uthman, em seguida ‘Ali, e em seguida Imam Hasan tornou-se califa.

Mas os Xiitas dizem que a verdadeira sucessão do Profeta, isto é, o seu califado espiritual, é o certo, ou melhor, o dever de ‘Ali. A principal diferença e desacordo ocorrem deste ponto. Os seguidores de Abu Bakr, ‘Umar e ‘Uthman foram nomeados Sunitas, enquanto os seguidores de ‘Ali e Imam Hasan eram chamados de Xiitas.

Então a principal diferença entre Xiitas e Sunitas é que o último permite que as pessoas escolham o califa enquanto o primeiro acredita que o califado deve ser determinado de acordo com a ordem e o decreto do Profeta.

É óbvio que ‘Ali foi nomeado pelo Profeta, e como sempre deve ter um representante divino na face da terra, depois de ‘Ali, quem for nomeado por ele será o califa, e assim por diante. Se tomarmos essa diferença em consideração, veremos que a base do Xiismo apareceu imediatamente após o falecimento do Profeta, mas não se pode dizer que tenha ocorrido. A diferença já estava presente, mas durante a vida do Profeta isso não emergiu porque não havia nenhuma razão para isso. Após o falecimento do Profeta, as diferentes inferências tornaram-se aparentes.

[5] Alcorão (53: 3-4).

Assim, o Xiismo apareceu desde o momento da morte do Profeta. Entretanto, mais tarde, o Islamismo Xiita e Sunita atraiu outros materiais e ideias enquanto avançava no decorrer da história para que cada uma delas se transformasse num sistema de regras e ideias. Os princípios básicos do Xiismo são os mencionados acima. Poderíamos dizer que todo poeta, escritor e Sufi é um Xiita que acredita no walayah de ‘Ali, isto é, que ‘Ali é o sucessor imediato e verdadeiro do Profeta, e que este é o seu direito exclusivo. Considerando este ponto, pessoas como Sa’di, Hafiz e Rumi, e em geral, todos os grandes Sufis eram Xiitas.

Se diferem de acordo com seus preceitos jurisprudenciais, essa diferença é irrelevante à questão básica, assim como existem inúmeras questões na lei Islâmica sobre as quais juristas Xiitas e Sunitas discordam que também circulam entre os próprios juristas Xiitas. No entanto, o ponto básico é que alguém que acredita no walayah de ‘Ali pode ser considerado Xiita. Portanto, como já mencionamos, o Xiismo surgiu logo após o falecimento do Profeta, embora seus ensinamentos já estivessem presente. Isto não era evidente porque não havia oponente para negá-los.

Quando scholars estrangeiros não-Muçulmanos investigam uma ideia, não envolvem a escola de pensamento em si e seus princípios; em vez disso, se concentram nos fenômenos exteriores. Portanto, como ‘Ali às vezes ajudava os califas a cumprirem as regras da lei Islâmica, tais scholars não consideram que esse período seja o da existência ou surgimento do Xiismo. Tomam como critério deles, para o surgimento do Xiismo, o tempo em que surgiram diferenças entre ‘Ali e os califas. Claro, esse erro também persuadiu os pesquisadores Muçulmanos, especialmente aqueles que são ignorantes da espiritualidade básica dos primeiros Muçulmanos. Ao longo da história sempre houve inúmeros desentendimentos entre essas duas idéias — a Ideia Xiita de nomeação do líder, e a ideia Sunita de eleição.

Os califas estavam constantemente ocupados com a destruição da ideia Xiita através de vários meios, e até perseguiram os proponentes dessa ideia, os Xiitas, para que praticassem a dissimulação (taqiyyah) durante todo o período dos Imams, e até mesmo mais tarde. Esta é a causa do encorajamento da dissimulação entre os Xiitas. Com relação a isto, existem histórias famosas, como aquela sobre ‘Ali ibn Yaqtin, que era um ministro de Harun al-Rashid e praticou a dissimulação. Dessa forma, vários Xiitas foram obrigados a se aposentarem para não serem descobertos, e para que pudessem organizar suas ideias e crenças e orientar os outros.

Eles encontraram outro nome na história do Islamismo, esse nome era Sufi, e pouco a pouco o termo tasawwuf (Sufismo) se tornou atual. Não faz diferença o que etimologicamente a palavra Sufismo significa. O que normalmente é dito e no que diz respeito a, é que tasawwuf deriva da raiz suf, que significa lã, e que tasawwuf significa estar usando roupas de lã. Os Sufis geralmente usavam lã e há relatos de que os profetas também vestiam lã. Como a lã é especialmente grosseira, e é desconfortável para o corpo, não se pode dormir muito tempo com isso, e o mantém acordado para orar.

É por isso que uma história do livro Tadhkirah al-Awliyya [6] foi escrita, de acordo com alguém (Sufiyan Thuri) que encontrou o Imam Ja’far Sadiq, que a paz esteja com ele, na estrada. Ele viu que o Imam estava vestindo uma roupa cara feita de seda e lã (khazz), [7] então, foi até ele e depois de cumprimentá-lo disse:

Ó filho do Apóstolo de Alá! Não é apropriado para você, como o filho do Apóstolo de Alá, usar roupas suaves luxuosas.” O Imam pegou sua mão e colocou-a debaixo da manga. Ele viu que o Imam estava usando uma roupa interior de lã grosseira que irritava o seu braços. O Imam disse: “Esta é para Deus,” enquanto mostrava a roupa de lã; “E esta é para as pessoas,” disse, mostrando para a roupa macia.

[6] Sheik Faríd al-Dín ‘AììàrTadhkirah al-Awliyyà, Muåammad Isti’làmí, ed. (Tehran: Zavvàr, 1363/1984), [15].

Dr. Hajj Nour Ali Tabandeh

A ocorrência de tal história e tal encontro, mesmo que não acreditemos que realmente acontecido, na escrita de Sheik ‘Attar, que diz que a peça de lã é para Deus, indica que os grandes Sufis, que na época tinham como chefe Hazrat Ja’far Sadiq, considerava o vestuário de lã áspero como um sinal de adoração e preparação para o culto.

Em qualquer caso, aparentemente, é mais adequado considerar a palavra Sufismo (tasawwuf) como sendo derivada da raiz (lã). Na verdade, existe um outro nome que foi aplicado a este grupo, [isto é, os Xiitas] que ganhou repercussão. Da mesma forma, vemos isso hoje, por exemplo, em um país cujo governo é contra o Islã e que se proclama secular, dissolver um partido Islâmico e destruír seu nome; mas o mesmo grupo sob um nome diferente forma um outro partido, e por um tempo continua suas atividades. O Xiismo procedeu da mesma maneira, isto é, na história do Islamismo, o Xiismo se mostrou sob outro nome, ou seja, Sufismo.

A base do Sufismo desde o início, em relação às doutrinas, foi assim porque o sucessor do Profeta é ‘Ali, e porque entre os companheiros do Profeta, ‘Ali era o mais excelente. No entanto, na prática eles tinham vários estilos de vida, da mesma maneira que os Xiitas acreditam que todas as idades têm seus próprios requisitos. ‘Ali, por exemplo, teve uma vida exteriormente humilde e pobre. Apesar de ter fundado muitas palmeiras através de seu próprio trabalho, recebeu doações de todos e nunca tirou proveito próprio. Em contraste, Imam Ja’far Sadiq teve uma vida externa de luxo e riqueza. Cabe ao Imam, a grande pessoa de seu tempo, decidir de acordo com as demandas dos tempos em que vive. Assim, no decorrer da história, descobrimos que às vezes o Sufismo assume a forma de ascetismo e reclusão, e em outras ocasiões, ou no caso de certas pessoas, aparece como atividade social e luta (struggle).

Do mesmo modo, observamos diferentes estilos de vida ao longo da história, mas nenhum deles é a base do Sufismo. O fundamento do Sufismo é nada mais que um executor (wasayat) [8] e walayat, e não outros assuntos estranhos.

Os outros assuntos surgiram ao longo da história por causa das demandas dos tempos. O mesmo erro que surgiu em relação ao Xiismo e a palavra tashayyu’ também apareceram em relação ao Sufismo. Alguns dizem que pela primeira vez apareceu no segundo/oitavo século. Consequentemente, todo escritor parece ter sua própria teoria, no entanto, o Sufismo é a própria essência e significado de Xiismo.

[7] Existe uma razão para as diferenças nas vidas dos Imams, por exemplo, Hazrat Ja’far Sadiq e Imam Hasan com ‘Ali, e este é outro problema que temos de passar por um momento.

[8] Wasayat significa que o sucessor deve ser nomeado de acordo com o testamento final do antecessor, não pela eleição do povo.

Na história do Xiismo, algumas pessoas prestaram mais atenção às regras da lei Islâmica, e apresentaram suas teorias a respeito disso. São eles os fuqaha (juristas da lei Islâmica).

Outro grupo de Xiitas deu prioridade às questões doutrinárias e ao caminho da perfeição em relação a Deus. Estes são os Sufis. Na verdade, eles são, como a expressão a seguir, como os dois braços de um corpo. No entanto, muitas vezes, sem perceber isso, alguns afirmam que há oposição entre esses dois grupos. Muitos Orientalistas fazem o mesmo, porque quanto mais oposição entre eles, mais os Orientalistas se beneficiam.

A base e o espírito do Islã estão no Xiismo e o espírito do Xiismo está no Sufismo. O Sufismo não é outro senão o Xiismo, e o Xiismo real nada mais é que o Sufismo.

É aqui que os pesquisadores encontraram outro terreno, mas um terreno que também cria cismas. Somente Deus sabe se isso foi deliberado ou não intencional. De qualquer modo, alguns dizem que o Sufismo foi criado para destruir o Xiismo e para estragar o Islã. Eles fizeram alguns pseudo-Sufis a seu critério, e se referiram a alguns pretendentes do Sufismo que não prestaram atenção aos assuntos espirituais ou cujos links de suas fontes estavam partidos. Como no Sufismo, de acordo com os princípios do Xiismo, apenas aqueles que foram explicitamente nomeados pelo guia anterior e um pir (um santo Muçulmano ou um homem santo), merecem liderança e orientação das pessoas, e todos concordam que essa permissão de orientação continuará até o dia da ressurreição.

No entanto, os doze Xiitas acreditam que durante a ocultação do Imam, aquele que for nomeado pelo Imam só tem o direito de fazer bay’at [9] com os fiéis. Ele também tem o direito de nomear seu sucessor, de modo que a corrente continue. Portanto, aquele que a permissão chegar de mão em mão ao Imam tem liderança legal, legítima e orientação, e de outra forma sua corrente estará partida. Quantos tiveram suas correntes quebradas, mas com base em suas próprias opiniões pessoais propuseram questões como Sufismo que não fazem parte do Sufismo. Há um pequeno número de pesquisadores que notaram isso. Por exemplo, em um livro que foi traduzido em Farsi, Místicos e Comissários, [10] os autores, Alexander Bennigsen e S. Enders Wimbush, analisaram o Sufismo na antiga União Soviética e disseram que o Sufismo não é uma seita e nem um movimento de renegados, mas uma parte inseparável do verdadeiro Islã. Os analistas Ocidentais, em particular, são aptos para fecharem os olhos para essa realidade, e se referem repetidamente ao Sufismo como um fenômeno estranho ao Islamismo, e mesmo como um desvio disso. Desde as antigas forças da ex-União Soviética que se opunham à religião estavam no poder do governo, o pesquisador que investigar as condições na União Soviética chegará a esta conclusão [que o Sufismo não é separado do Islamismo].

Outro argumento frequentemente mencionado por alguns Orientalistas é que o Xiismo, e de acordo com outros, o Sufismo, era uma maneira pela qual os Iranianos combatiam a governança dos Árabes depois que os mesmos conquistaram seu país e derrotaram sua dinastia real e governo. Eles argumentam que foi assim que os Iranianos mostraram sua reação, e que a história de grande parte da resistência Sufi deixa claro que foi isso que levou à libertação do Irã das correntes estrangeiras.

No entanto deve-se notar que não foram os Árabes, mas o Islã que conquistou o Irã. Por exemplo, quando os exércitos do Islã vieram ao Irã, conseguiram sua conquista até a cidade de Rayy, e as pessoas se tornaram Muçulmanas. Depois, todos aceitaram o Islã de bom grado.

[9] Com relação ao bay’at, veja o artigo do mesmo autor.

[10] Traduzido em Farsi por Afsaneh Munfarid (Teerã: 1998), p. 214.

A comparação de dois assuntos abrange o caminho para uma compreensão da causa disso. Por um lado, é narrado que Anushiravan convidou os ricos comerciantes do bazar e pediu-lhes que lhe emprestasse dinheiro para realizar a guerra. Depois que terminou seu discurso, um sapateiro disse: “Estou pronto para lhe dar todo valor que você precisa, não como um empréstimo, mas como um presente. Existe apenas uma condição, que você permita que meu filho se alfabetize e estude.” Anushiravan ficou bravo: “Eu deveria permitir que o filho de um sapateiro estude!?” Ele não aceitou. Por outro lado, os comandos do Islã “Procurar o conhecimento é obrigatório para todos os Muçulmanos.” Da mesma forma, após a Batalha de Badr, quando os cativeiros foram trazidos e suas famílias vieram pagar o resgate, o Profeta disse: “Qualquer um desses cativos que ensinar a ler e escrever para sete Muçulmanos será libertado.”

Compare essas duas questões — além do aspecto espiritual, se você apenas olhar para o aspecto externo — quando dois exércitos, um com o primeiro tipo de pensamento e o último, confronte-os, quem sairá vitorioso?

De qualquer forma, é o Islã que conquistou o Irã. Os Iranianos sempre gostaram do Islã e dos Muçulmanos. Todas as suas revoluções contra governos estrangeiros, se fossem realizadas ao mesmo tempo preservando o Islã, alcançariam seus objetivos, como a insurreição de Abu Muslim Khorasani, ou a insurreição de Sarbedaran [contra o Mongóis], ou os Safavids, dos quais os dois últimos eram Sufis, entre outros. Aqueles que fizeram uma revolução apenas pela independência do Irã, mas que estavam realmente contra Islã, não foram vitoriosos. Pessoas como Hashim ibn Hakim (conhecido como al-Muqna’), Maziyar, Babak e Afshin são desse tipo.

Por essa razão, suas dinastias não sobreviveram e muitos deles desapareceram após um curto período de tempo. Não sobrou um traço sequer do seu pensamento. No entanto, os Orientalistas ignoram todos esses fatos e consideram o Sufismo e o Xiismo como revoltas Iranianas contra os Árabes e as interpretam como armas dessa luta, embora o Sufismo seja o mesmo que o Xiismo e o Xiismo é o mesmo que o Islamismo. Evidências históricas disto encontram-se no fato de que a revolta dos Safavids fez com que o Xiismo dominasse o Irã.

Outra questão que causa confusão e erros sobre o problema é que: é dito que o Sufismo é algo diferente de ‘irfan. Verdade, com relação às palavras, elas são duas coisas: nossas expressões diferem, mas Sua beleza é uma. [11] Esta dúvida foi criada há muito tempo; mesmo muitos dos opositores do Sufismo que escreveram refutações sobre isso expressaram sua aprovação do ‘irfan. Eles admitem que alguns estudiosos consideram que o ‘irfan e o Sufismo são os mesmos, mas negam isso.

Agora, vamos ver brevemente o que o termo irfan significa. Literalmente, ‘irfan é conhecer. Conhecer tem estágios diferentes. Por exemplo, Abraão, que a paz esteja com ele, que sabia, isto é, por sua própria natureza inata (fitrat) entendeu que este mundo tem um Deus e esse Deus governa todas as coisas, tinha algum conhecimento. Quando viu uma estrela, ele disse: “Este é o meu Deus.” Era a estrela brilhante, dizem ter sido Sirius. Mas quando a estrela se pôs, ele disse: “Eu não gosto dos que se põem.”

[11] Este é um ditado Árabe, comumente utilizado na cultura Iraniana e Árabe.

[12] Quando a lua apareceu — a qual, como regra, era uma Lua cheia — ele disse: “Este é o meu Deus.” Mas depois que ela se pôs, pensou novamente e disse: “Isto também se põe. Então, também, não é o Deus do mundo.” Isso significa que ele chegou a um estágio em que sabia que existia um Deus, e que esse Deus tem poder e grandeza, mas que, em sua imaginação primitiva, considerou que este Deus era corpóreo. Então o sol nasceu. Ele disse: “Certamente, isso é Deus.” Mas também se pôs, e ele então disse: “Eu viro o meu rosto para Aquele que criou os céus e a terra.”[13]

Nessa momento, em que reconheceu e entendeu que o Deus por Quem procurava não é um corpo e não é corpóreo, e que é Ele quem criou o céu, a estrela, a lua e sol.

Estes são estágios gnósticos (‘irfani). O estágio mais primitivo da gnose (‘irfan) foi este, o primeiro, no qual Abraão não sabia se o Deus que o criou era corpóreo ou não; que tipo de Deus é Ele? Gradualmente, chegou ao ponto em que Deus no Alcorão diz: “Dessa forma, mostramos a Abraão o reino (malakut) dos céus e a terra.” [14] Assim, todos os que conhecem Deus e percebem que existe um Deus tem um grau de gnose, porque a gnose não é uma questão absoluta. Isto é algo que, como dizem os filósofos, é formado (tashkiki), como a luz e a fé, que tem graus. Começa do menor grau, e se Deus o conceder sucesso, atinge graus mais elevados.

Por exemplo, imagine alguém em um deserto em que lá não há habitação. À distância, ele vê um ponto preto no ar limpo (este ar limpo deve ser entendido como a sua pura intenção). Ele só sabe que é um ponto preto, na medida em que sabe apenas que há algo lá. Quando se aproxima mais um pouco, vê que esse ponto preto se torna uma linha reta. Então ele reconhece, isto é, adquire a gnose, de que aquela coisa longe é um corpo longo. Se continua se aproximando e avança um pouco mais, verá que o corpo tem diferentes ramos. Percebe que é uma árvore com ramos. À medida que avança, vê que nos ramos há formas como folhas. Ele percebe que a árvore tem folhas, isto é, está viva. Ele vê que elas se agitam e sussurram. Entende que são afetadas pelo vento. Ao avançar, percebe que há coisas penduradas na árvore. Percebe que a árvore dá frutos. Avançando ainda mais, vê que o a fruta é uma maçã, ou tal e tal fruta. Assim, ele encontra a gnose (‘irfan). Quando chega bem perto e prova a maçã ou qualquer outra fruta, descobre que é doce.

Os mesmos graus de gnose aparecerão para quem segue o caminho do conhecimento de Deus. A gnose e o conhecimento de Deus ocorre da mesma maneira. Portanto, quando alguém é identificado como um gnóstico (‘arif) não significa que tenha algo do qual os outros estão absolutamente privados, e que ele tenha tudo. Ser gnóstico também tem graus. Existe um gnóstico e aquele que é mais que um gnóstico. O caminho para alcançar a perfeita gnose, isto é, a perfeição da gnose, é chamado de Sufismo. Isso significa que o Sufismo é a maneira prática de alcançar a gnose (‘irfan).

[12] Alcorão (6:76). [13]  Alcorão (6:79). [14] Alcorão (6:75).

Assim, o Sufismo e a gnose (‘irfan) são duas palavras que significam a mesma coisa, ou elas podem ser pensadas como os dois lados da mesma moeda, ou podemos dizer que a primeiro mostra o caminho e a último o resultado da caminhada. De qualquer modo, ambas são um e dois.

A oposição que agora volta e meia é reivindicada no Irã, existindo entre a gnose e o Sufismo, pode ser devido à má situação política. Eles não podem dizer coisas ruins sobre a gnose (‘irfan) porque muitas das grandes figuras a apreciaram, e isto é geralmente venerado. Por outro lado, não podem aceitar o Sufismo porque pode danificar sua vida mundana. Por isso, dizem que a gnose (‘irfan) é algo diferente do Sufismo. Há pessoas que anteriormente estavam seguindo o caminho do Sufismo e mais tarde se opuseram a ele e escreveram rejeições a ele. Para fortalecerem suas rejeições e para se desvincularem de seus passados, dizem que a gnose (‘Irfan) é bom, mas que é diferente do Sufismo. Continuam na medida em que muitos da geração mais velha estavam equivocados e pensaram que estes dois eram um. A partir disso é evidente que muitas das grandes figuras do passado atestaram esta verdade.


Tradução: Tiao Cazeiro — Muhammad e os Sufis

Sufismo Na Índia — Uma História Sangrenta

Fonte/Source: Sufism in India – Sufism in India – A bloodied History


Sufismo Na Índia — Uma História Sangrenta

Por Radha Arya 

IndiaFacts

18 de Julho de 2017


A arrogante percepção erudita que sugere que os Sufis recorreram apenas ao maneirismo pacífico e humilde para promover o Islã na Índia precisa ser contestada.

O advento do Islamismo na Índia foi geralmente considerado como um processo pacífico e principalmente não violento sob o qual vários Santos Sufis chegaram à Índia a partir de várias partes da Ásia Ocidental e se estabeleceram aqui. Sua interação com as pessoas locais, que em vários momentos se mostraram dispostas e em outros como discípulos relutantes, retransmite uma história de abordagem mista por esses Sufis e outros influenciadores, que ajudaram na disseminação do Islamismo na região. Existe um conceito de tempo homogêneo e vazio, como sugerido por Benedict Anderson (1), que diz que esse tempo vazio está disponível para ser preenchido com informações, e a cor dada a esse período de tempo depende dos aspectos culturais predominantes, apoiando-se sobre os historiadores e os estudiosos da época.

Anderson menciona em seus trabalhos (2) que, quando o negócio de impressão tornou-se grande na Europa por volta de 1500, um dos principais objetivos dos editores era ganhar dinheiro. Então, publicaram livros em língua Latina, já que a classe monetária era bem versada nessa linguagem. Portanto, os leitores permaneceram limitados naqueles que podiam ler o Latim. De forma semelhante, uma das maiores obras de história do subcontinente chamada de ‘Chachnama’, uma compilação de acontecimentos históricos, e que fornece detalhes sobre a chegada do Islã na Índia. O livro foi escrito em Árabe durante o século VIII, foi traduzido para o Persa em 1226 por Ali Kufi, e depois por Mirza Kalichbeg Fredunbeg (1853-1929) em 1900 (3).

De acordo com Mannan Ahmed Asif, autor de “A book of Conquest“, os primeiros historiadores e estudiosos pós-colonial como H. T. Lambrick, Peter Hardy e Yohanan Friedmann retrataram o conteúdo do livro de tal maneira que

“A noção de Chachnama como um mensageiro de textos (carrier text) virou consenso geral na área”. (4)

Manann também afirma que Romila Thapar, Gyanendra Pandey, Uma Chakravarti, Richard Eaton, Cynthia Talbot e Shahid Amin são algumas das principais figuras-chave, que com toda a probabilidade, também usaram a descrição reduzida de Chachnama, conforme descrito por Kufi, além de outras obras importantes da época, em suas obras históricas que são amplamente seguidas e consideradas como pioneiras no mundo acadêmico (5).

O advento dos Árabes na Índia começou a ocorrer antes do início do Islã na Arábia, que emergiu como o primeiro Estado Islâmico no início do século VII. O regime Muçulmano tornou sua presença conhecida em Sindh no século VIII. Mas antes disso, havia muitas famílias Árabes que estavam instaladas em Aden, Muscat, Diu e Thana (6). No entanto, não há muitos registros disponíveis de Hindus e outras religiões se convertendo ao Islã nos primeiros dias da religião. Pode-se dizer que, naquele momento, a religião ainda estava em sua infância e não tinha a maquinaria através da qual pudesse propagar a sua mensagem. Vários estudiosos, viajantes e comerciantes Muçulmanos, que visitaram a Índia durante os primeiros séculos do Islã, não conseguiram encontrar nada em si mesmos que pudesse influenciar os habitantes locais com sua fé.

O legado do Rei Chach realizado por seu filho Raja Dahir em Sindh, Multam e Uch, foi desafiado por Hajjaj Bin Yousuf, que enviou seu jovem tenente Muhammad Bin Qasim para espalhar as conquistas do Islã na Índia. Em 712, o governo Islâmico chegou à Índia pela primeira vez, quando Qasim derrotou Raja Dahir e prendeu suas filhas. Depois que Qasim foi preso sob as ordens de Hajjaj Bin Yousuf e mais tarde, quando morreu na prisão, os Muçulmanos começaram rapidamente a perder território.

Um aspecto importante e que esclarece o motivo pelo qual não-Muçulmanos se converteram ao Islã em muitas áreas, é dito,  que se deve ao impacto do pagamento da Jizya (imposto de proteção – per capita – cobrado a uma parte dos cidadãos não-Muçulmanos de um estado Islâmico), e o transtorno que isso causou nos assuntos econômicos dessas pessoas. Existem diferentes opiniões se durante o mandato de Muhammad Bin Qasim ele impôs ou não a Jizya aos não-Muçulmanos, e qual o impacto total disso. No entanto, somente mais tarde no século 13 é que surgiu forte evidência e repercussão do pagamento da Jizya, e do costume ainda mais esmagador de pagar o kharaj (Imposto imobiliário sobre a posse de terras, inicialmente aplicado às terras que os dhimmis detinham). O propósito de Jizyah (sic) era humilhar os não-Muçulmanos e lembrá-los de seu lugar na sociedade como Dhimmis, mas de acordo com M A Khan, ainda não pesava no bolso.

No entanto, ele narra:

“Os camponeses literalmente se tornaram escravos hipotecados do governo, já que de 50 a 75% dos produtos eram retirados em impostos, principalmente como kharaj.” (7).

A condição era tão ruim que os Hindus fugiam das áreas povoadas e se escondiam nas florestas para escapar do exército de cobrança de impostos do Rei. Durante esse tempo, foi mais fácil para os não-Muçulmanos se converterem ao Islã e serem salvos do fardo econômico. Essa tática trabalhou na disseminação do Islã em grande medida, como é compartilhado por Feroze Shah Tughlaq, que governou em meados do século XV. Fatuhat-i-Firoz Shahi escreve em suas memórias:

“Eu encorajei o meu infiel com assuntos, para abraçar a religião do profeta, e proclamei que todos aqueles que repetirem o credo e se tornarem um Musalman (Muçulmano) estarão isentos da Jiizyah, Essa informação atingiu as pessoas em geral, e um grande número de Hindus se apresentou e foram admitidos para a honra do Islã. Assim foram chegando, dia após dia, vindo de todos os cantos e adotando a fé, foram exonerados da Jizyah e favorecidos com presentes e honra”. (8)

Auragzeb infligiu muitas táticas regressivas aos não-Muçulmanos e foi ativamente responsável pelas conversões forçadas em sua era. Muitas de suas táticas estavam economicamente privando. Ordenou que todos os Hindus que trabalhavam na corte real fossem expulsos, dando-lhes, assim, a opção de se converterem ao Islã para salvar seus meios de subsistência (9). Ele também ofereceu dinheiro aos não-Muçulmanos para se converterem ao Islamismo, sendo Rs. 4, aos homens e Rs. 2, às mulheres. Isso era equivalente a um salário mensal naquela época (10).

Após o desaparecimento de Muhammad Bin Qasim, durante muitos séculos não houve conversões significativas ao Islã. Durante o século 10 e 11, o Imperador Turco Subuktageen e, em seguida, seu filho Mehmood de Ghazna eram conhecidos por governar parte da Índia. Mehmood de forma extraordinária atacou o templo de Somnath e seu exército pilhou e saqueou muito durante esse período, e é dito que cada vez que atacava a área, destruía templos, e converteu dezenas de pessoas ao Islã (11). Só mais tarde no século XIII é que a evidência de maiores conversões ao Islã emergiu.

O renomado pregador Indiano e fundador da Fundação de Pesquisa Islâmica, Zakir Naik, sempre sustentou que o Islã se espalhou na Índia de forma pacífica, e os Sufis desempenharam um papel positivo ao trazer todas as grandes virtudes e moralidades do Islã através da prática e da pregação. Naik escreve:

“No geral, Muçulmanos governaram a Arábia por 1400 anos. No entanto, hoje, há 14 milhões de Árabes Cristãos Coptas, isto é, Cristãos desde as gerações. Se os Muçulmanos tivessem usado a espada, não haveria um único Árabe Cristão. Os Muçulmanos governaram a Índia há cerca de mil anos. Se quisessem, tinham o poder para converter todos os não-Muçulmano da India ao Islã. Hoje, mais de 80% das pessoas da Índia são não-Muçulmanas. Todos esses Indianos não-Muçulmanos hoje testemunham que o Islã não foi espalhado pela espada.”

Sheik Yusuf al-Qaradawi, um teólogo Islâmico Egípcio baseado em Doha, Catar e presidente da União Internacional de Acadêmicos Muçulmanos, tem algo a dizer sobre o assunto

“…a espada pode conquistar terras e ocupar estados, nunca será capaz de abrir corações e inculcar a fé nas pessoas. A propagação do Islã só ocorreu após um tempo, depois que as barreiras entre as pessoas comuns desses países e o Islã foram removidas. Nesse ponto, eles foram capazes de considerar o Islã dentro de uma atmosfera pacífica, longe do distúrbio da guerra e dos campos de batalha. Assim, os não-Muçulmanos foram capazes de testemunhar a excelente moral dos Muçulmanos… “

O Dr. Fazlur Rahman é um Pregador Paquistanês moderado que teve que deixar o Paquistão por conta das suas opiniões não ortodoxas. Ele oferece aqui uma explicação através da qual um link pode ser criado entre o comentário do Dr. Naik e o de Al Qardawi. Ele afirma:

“…o que era espalhado pela espada não era a religião do Islã, mas o domínio político do Islã para que o Islã pudesse trabalhar para produzir a ordem na terra que o Alcorão procura… Por isso nunca se pode dizer que o Islamismo foi espalhado pela espada”(12)

Aqui, pode-se deduzir que a ideia do Islamismo se espalhando de forma pacífica através do Sufismo está problematizado em parte, e é sabido que o Sufismo quase sempre seguiu, ou foi acompanhado do uso da espada e da autoridade forçada

Khwaja Muinuddin Chishti de Ajmer, Rajhastan era considerado um prolífico Santo Sufi que veio para a Índia (Lahore, Delhi, Ajmer) em ou ao redor de 1192. Ajmer era governada na época por Prithviraj Chauhan. Esse é o mesmo período de tempo em que Shahabuddin Ghori atacou o reino de Prithviraj pela segunda vez, e desta vez com sucesso. Ghori também seguiu a mesma rota que Khwaja Moinuddin Chishti. Chegou pela primeira vez a Lahore e enviou uma mensagem a Prithviraj para aceitar o Islã. Quando ele recusou, uma batalha foi travada e desta vez Ajmer foi conquistada por Shahabuddin Muhammad Ghori.

Diz-se que Khwaja Muinuddin Chishti entrou em Ajmer com as tropas conquistadoras de Ghori, que então prosseguiu destruindo muitos templos e construíram Khanqahs (construção projetada especificamente para encontros de uma fraternidade Sufi ou Tariqa) e mesquitas em seu lugar (13). Hasan Nizami, um dos cronistas que têm debatido a regra dos Reis Muçulmanos na Índia, escreve em seu livro chamado Taj ul Maasir sobre a conquista de Ajmer:

‘O exército vitorioso, à direita e à esquerda, partiu para Ajmer’ Quando os Hindus com cara de corvo começaram a soar suas conchas brancas nas costas dos elefantes, você teria dito que um rio de sons escorria impetuosamente pelo rosto de uma montanha de azul’ O exército do Islã foi completamente vitorioso, e cem mil Hindus rastejando partiram rapidamente para o fogo do inferno’ Ele destruiu (em Ajmer) os pilares e fundamentos dos templos de ídolos e construíram em seu lugar mesquitas e faculdades, e os preceitos do Islã e os costumes da lei foram divulgados e estabelecidos.’ (14)

Hoje, não há dúvida de fato que Khwaja Moinuddin Chishti é reverenciado no subcontinente como Gharib Nawaz e Nabi-ul-Hind. Ele disse ter convertido milhares de não-Muçulmanos ao Islã através de seus caminhos de caridade. Conduziu sua vida em total pobreza abjeta com apenas roupas suficientes para cobrir o corpo. No entanto terras foram concedidas a ele, as quais aceitou em nome de seus filhos, que possuíam essas terras por gerações. Após o assassinato de Prithviraj Chauhan, Ajmer foi entregue ao filho Pithviraj III para legislar como uma artimanha diplomática. É narrado que Khwaja Moinuddin também se preocupou com a política, tanto que, em um ponto, Prithviraj III pediu a Ramdeva que o expulsasse de Ajmer. Além disso, é interessante notar que os três cronistas contemporâneos da época, Hasan Nizami, Fakhr-i-Mudabbir e Minhaj não se referiram a ele em seus livros

Os primeiros registros místicos, o Favaid-ul-Fuad e Khair-ul-Majalis não fornecem nenhuma informação sobre ele. Barani não faz nenhuma referência a ele. Isami nos diz apenas isso, que Muhammad bin Tughlaq tinha visitado uma vez a sua tumba”(15)

Durante uma visita pessoal ao Dargah de Khwaja Moinuddin Chishti, tive uma conversa sobre o passado histórico do dargah (santuário Sufi) com um dos membros da família. Notei também os 2 Deghs (caldeirão) maciços que servem um puro langar (cozinha comunitária) vegetariano para dezenas de pessoas, e foi dito que um dos Deghs foi fornecido pelo Imperador Akbar. Ao olhar o texto, também podemos notar que Khwaja Chishti foi muito reverenciado pelo Imperador Akbar, que prestou especial atenção ao seu dargah, e foi na época dele que o Santo Sufi começou a ser mencionado em narrativas e livros.

Outros famosos discípulos da ordem de Chishti incluem Sheik Bakhtiar Kaki, Baba Farid Ganj e Shakar, e Nizamuddin Aulia. Nizamuddin teve seu khanqah em Deli e testemunhou que 7 imperadores diferentes chegaram ao poder durante a sua vida. No entanto, diz-se que ele nunca foi a nenhum dos seus darbars (comemoração em um templo Sikh). Ele também viveu em total pobreza abjeta e foi capaz de influenciar e converter dezenas de não-Muçulmanos. É dito também que Khwaja Nizamuddin era interessado em política e costumava manter sua própria corte em seu dargah (16). Seus discípulos incluem Amir Khusru, que teve uma afiliação muito próxima com o seu Peer o Murshid (tr.,peer: semelhante; mesmo status / murshid: guia; professor). Khusru era um renomado poeta e escritor, que também escreveu uma compilação chamada Tughlaqnama sobre a vida e os tempos de Ghayasuddin Tughlaq. Nuh Sipehr é o título de um de seus escritos em que ele narra:

“Eles (Hindus) têm quatro livros naquela língua (Sânscrito), os quais têm o hábito de repetir constantemente. O nome deles é Bed (Vedas). Eles cultivam histórias de seus deuses, mas pouca vantagem pode ser derivada de sua leitura.” (17)

Esse tipo de pensamento tem predominado constantemente na mente de todos os Muçulmanos, até mesmo nos Santos Sufis, que com a melhor das intenções, consideram que, ao convencer os não-Muçulmanos de se juntarem ao Islã, estão trazendo-os para a era da iluminação.

A Islamização da Caxemira foi feita através de uma mistura de espada e conversão vigorosa pelos Sufis. Entre os homens da espada, o mais famoso na área era Alexander, ou Sikandar But Shikan, que veio à Caxemira em 1394. Ele e seu Brahmin (membro da classe sacerdotal no subcontinente Indiano e pertence à sociedade de castas superiores.) converteram o primeiro ministro, emitiram uma ordem “proibindo a residência de qualquer outro que não seja Mahomedans (Muçulmanos) em Caxemira”(18), logo após jogaram fora todos os ídolos dos templos.

Mas durante um longo período foram os Sufis que foram acolhidos em Caxemira de Hamdan, pelo imperador Sultan Shahabuddin da dinastia Shah Mir, no meio do século 14. Um santo Sufi, Syed Ali Hamdani junto com 700 de seus discípulos vieram e começaram a construir khanqahs (tariqas) e converter pessoas ao Islã, bem como convencer o governante a destruir templos e fazer khanqahs. Após a morte de Hamdani, a tarefa foi assumida por Nuruddin, que enganava os habitantes locais ao se vestir como um Rishi, “a maior denominação de videntes Hindus de Caxemira”. Nuruddin aproveitou a psique Hindu e começou a se concentrar nas conversões dos sacerdotes Bramanistas, pois sabia que eram professores naturais dos Hindus de Caxemira (19).

De acordo com a afirmação de Nehemia Levtzion, “os Sufis foram particularmente importantes para alcançar a conversão quase total no leste da Bengala”. (20) A influência Sufi e a conversão de Budistas, bem como alguns Hindus ao Islã, foram feitas num ritmo muito alto por Sheik Shah Jalal e seus discípulos durante o século 13. De acordo com algumas fontes, ele participou de uma guerra santa com 700 de seus discípulos contra o Rei Gaur Govinda (21) e foi enviado pelo seu Pir (peer:mestre) Nizamuddin Aulia.

Sheik participou do terceiro ataque contra Gaur Govinda, no qual o rei foi derrotado. Após a guerra, mais de dezenas de milhares de prisioneiros foram levados e todos foram convertidos ao Islã sob o patrocínio do Sheik Jalal. Portanto, é claro que, pelo menos, esses prisioneiros não se converteram de acordo com sua própria vontade ou depois de se apaixonaram pelos ensinamentos e estilo de vida do Sheik Jalal. De acordo com o relato de Hamilton Alexander Rosskeen Gibb sobre Ibn e Batuta, ele mencionou que “o esforço de Jalaluddin foi fundamental para converter os infiéis a abraçaram o Islã” (22), mas não especifica quais foram essas medidas. Outro conhecido santo Sufi de Bengala foi Nur Qutb-i-Alam, que influenciou o Príncipe Hindu Ganesha, — governante recentemente derrotado de Bengala, — a entregar seu filho de doze anos; Jadu foi convertido ao Islamismo e fez o governante de Bengala trocar seu nome para Sultão Jalaluddin Muhammad; Jalaluddin acabou se tornando um rei particularmente feroz e ofereceu a opção de conversão ao Islã ou morte aos seus subordinados (23). Além disso, diz-se que os métodos de conversão aplicados em Bangladesh eram muito ortodoxos, tipo “(Os Sufis) estabeleceram suas khanaqahs nos locais dos santuários Budistas e se encaixaram bem na situação religiosa de Bengala”. (24)

Há muitas opiniões diferentes à medida que olhamos o trabalho acadêmico de diferentes lugares, o que pode levar a conclusões diferentes para responder a pergunta que começamos a explorar. No entanto, as percepções acadêmicas dominantes que sugerem que os Sufis recorreram apenas ao maneirismo pacífico e humilde para promover o Islã na Índia precisam ser desafiadas. É verdade que muitos Santos Sufis podem ser indivíduos de coração humano e bondoso. No entanto, a crença global de que, para levar uma vida feliz, contente e devota, é preciso entrar no curral da própria ideologia, vem se mantendo como um ponto de vista constante dos Santos Sufis em todo o Sul da Ásia.


References:

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2.P38, Ibid
3. Mirza Kalichbeg Fredunbeg, The Chachnamah, An Ancient History of Sind
4.P11, A Book of Conquest, Mannan Ali Arif
5. “Romila Thapar’s Somanatha: the many voices of a history, Ramya Sreenivasan’s The Many Lives of a Rajput Queen:Heroic Pasts in India c. 1500-1900, Shahid Amin’s Conquest and Community: The Afterlife of Warrior Saint Ghazi Miyan, and Cynthia Talbot’s The Last Hindu Emperor: Prithviraj Chauhan and the Indian Past, 1200-2000 approach binary categories of Hindu/Muslim by fracturing the historical certainty.” P188, A Book of Conquest, Mannan Ali Arif
6.“The Muslim polities in Sind that emerged in the eighth century undoubtedly helped the growth of trade and settlement networks between Arabia and India. Settlements in Aden, Muscat, Diu, and Thana predate the Arabian Muslim empires of Damascus and Baghdad. There are numerous mentions of Arab families who settled in these regions in political exile or as traders.” P33, ibid
7. P108, Islamic Jihad, A legacy of Imperialism, Forced conversions and Slavery, M A Khan
8. P 227, The State and Religion in Mughal India, Roy Choudhury ML
9. Exhibit No. 34, Bikaner Museum Archives, Rajasthan, India; Available at: http://according-to-mughal-records.blogspot.com
10. “Aurangzeb also promulgated an order in 1685 to his officers of the provinces to encourage the Hindus to convert to Islam by offering that ‘each Hindu male, who becomes a Musalman, is to be given Rupees four and each Hindu woman Rupees two’ from the treasury” Ibid, Exhibit 43
11. “ Mahmud Ghaznavi invaded Hindustan seventeen times, and every time he came he converted people from Peshawar to Mathura and Kashmir to Somnath. Such was the insistence on the conversion of the vanquished Hindu princes that many rulers just fled before Mahmud even without giving a battle”, p 222, Legacy of Muslim Rule in India, K S Lal
12. p92, Islamic Jihad, A legacy of Imperialism, Forced conversions and Slavery, M A Khan
13.“With the defeat and death of Prithviraj Chauhan, the task of the invader became easy. Sirsuti,Samana, Kuhram and Hansi were captured in quick succession with ruthless slaughter and a general destruction of temples and building of mosques. The Sultan then proceeded to Ajmer”. The Legacy of Muslim Rule in India. K.S.Lal
14. p214-215 Taj-ul-Maasir, Hasan Nizami
15. P134, Legacy of Muslim rule in India, K S Lal
16. “The Shaikh was so popular with the people that Sultan Alauddin Khalji began to entertain suspicions about his influence and authority in Muslim society. With a view to ascertain the real intentions of the Shaikh, and to find out to what extent he was interested in seeking political power, the Sultan sent him a note seeking his advice and guidance on certain political problems. The Shaikh immediately surmised Alauddin’s motives in sending the letter, and replied that he had nothing to do with politics and so could render no advice on political matters” P 118-19, Siyar-ul-Auliya. Urdu trs. Silsila-i-Tassavuf , Saiyyad Amir Khurd al-Kirmani
17. P563, Life and Works of Amir Khusrau, Dr. Wahid Mirza
18. P268, Tareekh e Ferishta, Muhammad Qasim Hindu Shah, History of the Rise of the Mahomedan Power in India,
19. P 19, Islamisation of India by Sufis, Purushottam
20. P8, Nehemia Levtzion , Toward a Comparative Study of Islamization, in Conversion to Islam
21. Shah Jalal (R), Banglapedia; http://banglapedia.search.com.bd/HT/S_0238.htm
22. P269,Ibn Batuta, 1304–1377 (1929), English translation by Gibb
23. “Dr James Wise wrote in the Journal of the Asiatic Society of Bengal (1894) that ‘the only condition he offered was the Koran or death… many Hindus fled to Kamrup and the jungles of Assam, but it is nevertheless possible that more Mohammedans were added to Islam during these seventeen years (1414–31) than in the next three hundred years.” P 57,KS Lal, Indian Muslims: Who are They
24. P 18, Nehemia Levtzion, Conversion to Islam
Bibliography-
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3. P188, A Book of Conquest, Mannan Ali Arif
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5. P38, The Legacy of Muslim Rule in India. K.S.Lal
6. Mirza Kalichbeg Fredunbeg, The Chachnamah, An Ancient History of Sind (Delhi: Idarah-i Adabiyat-i Delli, 1900).
7. P184, Islamic Jihad, A legacy of Imperialism, Forced conversions and Slavery, M A Khan
8. P 92, Islamic Jihad, A legacy of Imperialism, Forced conversions and Slavery, M A Khan
9. P 134, Legacy of Muslim Rule in India, K S Lal
10. P1, The Foundations of Muslim Rule in India, Habibullah ABM (1976) Central Book Depot, Allahabad
11. P108, Islamic Jihad, A legacy of Imperialism, Forced conversions and Slavery, M A Khan
12. P 227, The State and Religion in Mughal India, Roy Choudhury ML (1951) Indian Publicity Society, Calcutta.
13. P 118-20, Siyar-ul-Auliya. Urdu trs. Silsila-i-Tassavuf , Saiyyad Amir Khurd al-Kirmani, No. 130. Allah Wale-ki-Dukan, Kashmiri Bazar (Lahore, n.d.).
14. P 563, Life and Works of Amir Khusrau , Dr. Wahid Mirza, (Calcutta, 1935),
15. P 222, Legacy of Muslim Rule in India, K S Lal.
16. http://according-to-mughal-records.blogspot.com.
17. P 19, Islamisation of India by Sufis, Purushottam, Ist Edition : Feb. 2008
18. p. 268 Tareekh e Ferishta, Muhammad Qasim Hindu Shah, Ferishtah MQHS (1829) History of the Rise of the Mahomedan Power in India, translated by John Briggs, D.K. Publishers Distributors (P) Ltd, New Delhi, Vol. IV (1997 imprint).
19. p. 18, Toward a Comparative Study of Islamization, in Conversion to Islam, Nehemia Levtzion.
20. P 269,Ibn Batuta, 1304–1377 (1929), English translation by Gibb.
21. P 57,KS Lal, Indian Muslims: Who are They , 1990, Voice of India, New Delhi.
22. P 18, Nehemia Levtzion, Conversion to Islam, 1979


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR

Fonte/Source: No Peace, Only Pieces – The Sufi Mission in Kashmir! | IndiaFacts

Foto/Capa: Estrutura sobrevivente do grande Templo de Mamaleshwara, destruído pelo Santo Sufi Shamsuddin Araqi


JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR!

Por Dimple and True Indology

Este artigo foi republicado do blog do autor, com permissão.

23 de Dezembro de 2016

Este artigo examina as atividades iconoclásticas de Dimple Kaul and True Indology Shamsuddin Araki, um dos missionários Sufis mais “pacíficos” de Kashmir, e o seu papel na destruição dos Templos Hindus e Budistas de Kashmir, Ladakh e Gilgit-Baltistan. Continuar lendo JIHAD E DEPREDAÇÃO — A MISSÃO DOS SUFIS EM KASHMIR

Sufismo Sem Camuflagem (Muito Além de Stephen Schwartz)

Photo/Capa: THE WHIRLING DERVISHES

Fonte/Source: Sufism Without Camouflage (Beyond Stephen Schwartz)

Sufismo Sem Camuflagem (Além de Stephen Schwartz)

6 de Fevereiro de 2005. 

Por Robert Spencer (Jihad Watch)

Dervishes
Dervishes

Por conta de uma variedade de razões eu não tinha planejado publicar qualquer reposta ao artigo do Stephen Schwartz no Weekly Standard divulgando o Sufismo como pacífico e tolerante. No entanto, muitas pessoas me enviaram e-mails e ainda os vejo chegando, o que é um sinal de esperança. Eu sou pela esperança, mas não apoio a falsa esperança. Andrew G. Bostom reuniu este artigo, o qual lhe dará uma visão clara sobre os Sufis e o que os não-Muçulmanos podem esperar deles: Continuar lendo Sufismo Sem Camuflagem (Muito Além de Stephen Schwartz)

Voltaire e a Jihad

Foto/Capa: François-Marie Arouet (1694-1778) – mais conhecido como Voltaire

voltaire

Voltaire e a Jihad

Por Tião Cazeiro

29 de  Março de 2015

Chamada simplesmente de “Tradição”, a Ordem Sufi Naqshbandi, com sede em São Pedro da Serra, Nova Friburgo, recebe anualmente muitos seguidores para o “encontro” que se traduz principalmente através dos exercícios espirituais.

No topo de uma colina próxima a cidade foi instalada uma Tekia, com um delicado córrego acompanhando ao longo os degraus até o topo. Um ambiente muito charmoso, inspirador e no meio da floresta. Lá no topo, a Tekia, quando ativada, se apresenta como um templo sagrado às práticas místicas e onde a “energia” se concentra durante um tempo determinado.

Já ouvi comentários de que o local foi escolhido a dedo, devido à “energia” especial que incide sobre a região.

tekia
Tekia de la Zahara – Espanha.

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