Cristãos Do Egito Sofrem De “Extrema Perseguição”

Fonte/Source: Egypt’s Christians Suffer from “Very High Persecution” – Raymond Ibrahim


Cristãos Do Egito Sofrem De “Extrema Perseguição”

Por Raymond Ibrahim

29 de Janeiro de 2018

Solidariedade Copta

Por mais um ano consecutivo, o Egito provou ser um lugar inóspito para os Cristãos, ou seja, especificamente a maioria dos habitantes nativos, os Coptas. Segundo a Open Doors, uma organização de direitos humanos que acompanha de perto o tratamento dos Cristãos em todo o mundo, o Egito é a 17ª pior nação (em quase 200) para ser um Cristão; lá, os Cristãos experimentam um nível “muito alto” de “perseguição”. [1]

A “opressão Islâmica” é a principal força motriz dessa perseguição. Como mostra o relatório:

A opressão Islâmica (Muito Forte): no Egito, a opressão Islâmica opera de maneiras diferentes. A cultura Islâmica sustenta uma visão da sociedade Egípcia, na qual os Cristãos são considerados cidadãos de segunda classe. Esta visão causa a discriminação dos Cristãos no domínio político e seu tratamento com o estado. Também cria um ambiente no qual o estado reluta em respeitar e fazer valer os direitos fundamentais dos Cristãos. Na esfera familiar, os convertidos ao Cristianismo enfrentam grande pressão para renunciar à sua fé. Os Cristãos também enfrentam a pressão da opressão Islâmica em suas vidas diárias, em seu bairro local ou no trabalho. Também houve vários ataques violentos perpetrados por grupos militantes Islâmicos visando os Cristãos. Embora a atividade desses grupos militantes estivesse em grande parte concentrada no Sinai, durante o período do relatório da WWL 2018, o número de ataques perpetrados por esses grupos em várias partes do país aumentou.

Quem, principalmente, está por trás dessa “opressão Islâmica” sobre os Coptas? De acordo com o relatório, que analisou uma variedade de classes sociais, classificando cada uma como:

De Maneira Nenhuma” responsável; responsável em um nível “Muito Forte“; e dois grupos como “Fortemente” responsáveis: [Ênfase adicionada]

(1) “funcionários em qualquer nível, local ou nacional”

(2) a “própria (estendida) família” (uma referência à perseguição de apóstatas; sobre isto veremos a seguir).

Três segmentos da sociedade são “Muito Fortemente”, responsáveis ​​pela perseguição dos Coptas:

(1) “líderes religiosos não-Cristãos” — significando Muçulmanos como clérigos, sheiks, ímans e o resto — “em qualquer nível, local ou nacional”;

(2) “grupos religiosos violentos”, que, naturalmente, significam grupos Islâmicos violentos, sendo o Estado Islâmico (ISIS) o mais notório;

(3) “cidadãos normais (pessoas do público em geral), incluindo gangues e multidões.”

Em outras palavras, os Muçulmanos de todos os níveis da sociedade Egípcia — desde clérigos Muçulmanos altamente educados até os membros das organizações Islâmicas e as massas voláteis, “cujos pontos de vista são moldados pelos ímans intolerantes e radicais” — são “Muito Fortemente” responsáveis e “dirigentes significativos de perseguição”. [Ênfase adicionada]

“Os funcionários do governo também atuam como dirigentes de perseguição por causa do seu fracasso em reivindicar os direitos dos Cristãos e também através de seus atos discriminatórios que violam os direitos fundamentais dos Cristãos.” Enquanto as autoridades são às vezes perseguidores — como quando os soldados Muçulmanos levaram à morte os soldados Cristãos devido à sua fé, mais recentemente em Julho de 2017 —funcionam mais frequentemente como facilitadores, permitindo que uma cultura de impunidade prospere.

Multidões Muçulmanas tumultuam muitas vezes provocadas pelo simples rumor de que um Copta está envolvido com uma mulher Muçulmana ou que os Coptas estão tentando construir ou renovar uma igreja — ou simplesmente rezando em suas próprias casas; residências Cristãs e igrejas são frequentemente incendiadas, e os Cristãos muitas vezes são feridos, e às vezes assassinados. As autoridades locais quase sempre respondem sem prisões; e quando a ocasião da revolta gira em torno de uma igreja, as autoridades citam o incidente como uma razão “legítima” para não abrir ou renovar a referida igreja. O relatório oferece o seguinte episódio — um dos muitos exemplos ao longo dos anos, a seguir:

Mais de 1.600 Cristãos Coptas vivem na aldeia de Kom El-Loufy em Minya. Durante 5 anos não conseguiram reabrir sua igreja ou construir uma nova devido à hostilidade feroz dos Muçulmanos locais e devido à recusa das autoridades em conceder a licença necessária para a construção de uma igreja na aldeia. Várias casas pertencentes aos Cristãos também foram queimadas devido a suspeitas de que poderiam servir como locais de culto para os Cristãos.

Enquanto os Cristãos de qualquer gênero, idade ou status são susceptíveis de perseguição no Egito, como em outros países de maioria Muçulmana, dois grupos são especialmente vulneráveis. Em primeiro lugar, como mais fracos, mais fáceis e mais atraentes, as mulheres Coptas “são frequentemente submetidas ao assédio, casamento forçado ou casamento por sequestro e agressão sexual… Essa perseguição causa grande trauma fisiológico e dor nas famílias e comunidades Cristãs.”

Em segundo lugar, porque a apostasia é uma ofensa capital no Islã, Muçulmanos conversos ao Cristianismo indiscutivelmente “carregam o peso da perseguição, na maioria das vezes pelos membros da própria família. Os últimos punem os convertidos por abandonarem a fé Islâmica, muitas vezes por meio de espancamentos ou são expulsos de casa.”

Com relação aos locais onde a perseguição acontece no Egito, a resposta é: em qualquer lugar — mesmo em cidades mais cosmopolitas, como Alexandria e Cairo, a capital. Mesmo assim, “a hostilidade e o preconceito social contra os Cristãos são mais pronunciados nas regiões mais pobres e rurais do país”, que também é onde a maioria dos Coptas estão concentrados, como a al-Minya, que vê regularmente a opressão no dia-a-dia.

E sobre o Presidente Sisi? Como ele reage a tudo isso? Por um lado, ao contrário de seus predecessores — Hosni Mubarak e Muhammad Morsi — Sisi muitas vezes fala positivamente e faz alguns gestos para os Coptas, inclusive visitando a igreja antes dos serviços na véspera de Natal; e, ao contrário de seus predecessores, ofereceu algumas palavras muito francas e críticas sobre a radicalização da juventude Muçulmana do Egito e convocou Al Azhar, “o mais antigo e prestigiado centro de estudos Islâmicos avançados entre Muçulmanos Sunitas”, localizado no Cairo, “para combater o radicalismo e introduzir reformas no ensino Islâmico.”

Por outro lado, observo por ele, “Ataques de militantes visando Cristãos” e que “foram deliberadamente encenados para aterrorizar a comunidade Cristã e perturbar as atividades das igrejas”, têm “aumentado tanto em termos de frequência como de mortalidade.” Alguns dos mais espetaculares incluem um atentado suicida contra a igreja de São Pedro no Cairo que deixou cerca de 30 mortos e muitas dezenas de feridos (em 12 de Dezembro de 2016); o atentado suicida simultâneo de duas igrejas Coptas que deixaram 45 mortos e 100 feridos (em 9 de Abril de 2017, Domingo de Ramos); e a matança de 35 Coptas, quando os ônibus do mosteiro foram emboscados por homens Islâmicos armados, quando os Cristãos recusaram a conversão ao Islã (25 de maio de 2017).

As coisas não parecem estar melhorando. De acordo com o relatório:

Apesar do estado de emergência declarado pelo governo para enfrentar os ataques violentos que atingiram os Cristãos, a sensação de vulnerabilidade e insegurança que se tornou difusa entre os Cristãos no Egito, provavelmente irá persistir por muito tempo. Se tais ataques de militantes Islâmicos radicais continuarem, a pressão sobre os Cristãos no Egito aumentará e a capacidade da Igreja Egípcia para lidar com esse fardo será testada até o limite… As formas não-violentas de perseguição que prevalecem em várias esferas da vida provavelmente continuarão sem muita mudança.

Ainda assim, o argumento pode ser e tem sido feito de que os ataques terroristas contra Coptas aumentou sob o governo de Sisi realmente sugere que o Presidente Egípcio está fazendo um trabalho efetivo. Nesta visão, há muito mais ataques terroristas sob Sisi do que sob o Morsi da Irmandade Muçulmana precisamente porque, ao contrário do último, Sisi não é um aliado, mas um oponente dos Islâmicos — e, portanto, estão fazendo o máximo para envergonhar e fazê-lo parecer fraco e ineficaz diante do mundo.

De qualquer jeito, o fato permanece: ao optar por se tornar presidente, Sisi assumiu voluntariamente a responsabilidade de garantir a igualdade de tratamento para todos os cidadãos — incluindo Cristãos, — portanto, o ônus da reforma deve, necessariamente, cair sobre ele. Isso significa reconhecer e corrigir o fato de que aqueles que perseguem os Coptas não estão “fora” do tecido social do Egito — como muitas vezes Sisi reivindica, — mas, como visto, são locais e permeiam praticamente todos os aspectos da sociedade Islâmica no Egito.

[1] Ver World Watch List 2018 Compilation Volume 3.


Tradução: Tiao Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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