OS BASTIDORES DE OBAMA E HEZBOLLAH

Fonte/Source: The secret backstory of how Obama let Hezbollah off the hook

Ilustrações de Daniel Zender


Este artigo publicado hoje no POLITICO.com é um choque de ‘220 Volts’ de realidade. Você vai conhecer como funciona o terrorismo Islâmico no tráfico internacional de drogas para alavancar a causa Islâmica e a sua relação com líderes políticos. O Islã proíbe as drogas com pena de morte, mas só que o usuário é o infiel, o Kafir, e para destruí-lo tudo pode, tudo é permitido. — Tião Cazeiro


A História Secreta De Como Obama Deixou O Hezbollah Fora Do Alcance

Uma ambiciosa força-tarefa do Estados Unidos que atacava o empreendimento criminoso de bilhões de dólares do Hezbollah abandonou o projeto às pressas para atender os desejos da Casa Branca por um acordo nuclear com o Irã.

Por Josh Meyer

18 de Dezembro de 2017

PARTE I

UMA AMEAÇA GLOBAL EMERGE

Como o Hezbollah se voltou ao tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro através de carros usados ​​para financiar sua expansão.

Determinados em garantir um acordo nuclear com o Irã, a administração Obama descarrilhou uma ambiciosa campanha de aplicação da lei visando o tráfico de drogas pelo grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã, mesmo quando estava canalizando cocaína para os Estados Unidos, de acordo com uma investigação do POLITICO.com (magazine).

A campanha, denominada Projeto Cassandra, foi lançada em 2008, depois que o Drug Enforcement Administration (DEA) acumulou evidências de que o Hezbollah se transformou, de uma organização militar e política focada no Oriente Médio, em um sindicato internacional do crime que alguns pesquisadores acreditam estar faturando US$1bilhão por ano com drogas e tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outras atividades criminosas.

Ao longo dos próximos oito anos, os agentes que trabalharam numa instalação secreta do DEA em Chantilly, Virgínia, usaram escutas telefônicas, operações secretas e informantes para mapear as redes ilícitas do Hezbollah, com a ajuda de 30 agências do EUA e agências de segurança estrangeiras.

Seguiram os embarques de cocaína, alguns da América Latina para a África Ocidental e para a Europa e o Oriente Médio e outros através da Venezuela e do México para os Estados Unidos. Rastrearam um rio de dinheiro sujo enquanto era lavado, entre outras táticas, comprando carros usados ​​Americanos e os enviando para a África. E com a ajuda de algumas testemunhas cooperantes, os agentes traçaram a conspiração, os quais acreditam, chega ao círculo mais íntimo do Hezbollah e seus patrocinadores estaduais no Irã.

Mas à medida que o Projeto Cassandra alcançou o topo da hierarquia da conspiração, funcionários da administração Obama lançaram uma série cada vez mais insuperável de barreiras, de acordo com as entrevistas feitas com dezenas de participantes que, em muitos casos, falaram pela primeira vez sobre os eventos envoltos em segredo, sobre uma revisão dos documentos do governo e registros judiciais. Quando os líderes do Projeto Cassandra buscaram a aprovação das investigações, processos, prisões e sanções financeiras significativas, funcionários dos departamentos de Justiça e Tesouraria atrasaram, impediram ou rejeitaram seus pedidos.

O Departamento de Justiça declinou os pedidos do Projeto Cassandra e outras autoridades para denunciar acusações criminais contra grandes players, como o enviado de alto nível do Hezbollah ao Irã, um banco Libanês que alegadamente lavou bilhões em supostos lucros de drogas e um player central de uma célula baseada nos EUA, da força Quds paramilitar Iraniana. E o Departamento de Estado rejeitou pedidos para atrair alvos de alto valor para países onde poderiam ser presos.

15 de Dezembro de 2011

Hezbollah está vinculado a um esquema de lavagem de US$483.142.568

O dinheiro, supostamente lavado através do Banco Libanês Canadense e duas casas de câmbio, envolveu cerca de 30 compradores de automóveis dos EUA — clicando na imagem abaixo você terá acesso ao documento completo, em Inglês).

David Asher — Especialista em finanças ilícitas dos Estados Unidos enviado do Pentágono ao Projeto Cassandra para atacar a alegada empresa criminosa do Hezbollah.

“Esta foi uma decisão política, foi uma decisão sistemática”, disse David Asher, que ajudou a estabelecer e supervisionar o Projeto Cassandra como analista de finanças ilícitas do Departamento de Defesa. “Eles destruíram, em série, todo esse esforço que foi muito bem apoiado, e recursos, e foi feito de cima para baixo”.

A história incalculável do Projeto Cassandra ilustra a imensa dificuldade em mapear e combater as redes ilícitas numa época em que o terrorismo global, o tráfico de drogas e o crime organizado se fundiram, mas também à medida em que as agendas concorrentes entre agências governamentais — e a mudança de prioridades nos mais altos níveis — pode atrasar anos de progresso.

Enquanto a perseguição pode ser mantida em segredo, desde hotéis de luxo da América Latina até parques de estacionamento na África, bancos e campos de batalha do Oriente Médio, o impacto não pode: neste caso, cargas de cocaína de várias toneladas entrando nos Estados Unidos, e centenas de milhões de dólares por uma organização designada pelos EUA como  terrorista e com vasto alcance.

Obama tomou posse em 2009 prometendo melhorar as relações com o Irã como parte de uma aproximação mais ampla com o mundo Muçulmano. Na campanha, afirmou repetidamente que a política da administração Bush, de pressionar o Irã para estancar o programa nuclear ilícito, não estava funcionando e que iria se aproximar de Teerã para reduzir as tensões.

John Brennan — Conselheiro contraterrorismo da Casa Branca de Obama, que se tornou diretor da CIA em 2013.  Nota do blog: Brennan já havia se convertido ao Islamismo.

O homem que se tornaria o principal assessor de contraterrorismo de Obama e depois diretor da CIA, John Brennan, foi mais longe. Recomendou num documento programático que “o próximo presidente terá a oportunidade de estabelecer um novo curso para as relações entre os dois países”, através não apenas de um diálogo direto, mas de “maior assimilação do Hezbollah no sistema político do Líbano.”

Em Maio de 2010, Brennan, então assistente do presidente para a segurança interna e antiterrorismo, confirmou em discurso que a administração procurava formas de construir “elementos moderados” no Hezbollah.

“O Hezbollah é uma organização muito interessante”, disse Brennan numa conferência em Washington, dizendo que evoluiu de “organização puramente terrorista” para uma milícia e, finalmente, um partido político com representantes no Parlamento e Gabinete Libaneses, de acordo com um relatório da Reuters .

“Há, certamente elementos do Hezbollah que são verdadeiramente uma preocupação para nós, o que eles estão fazendo”, disse Brennan. “E o que precisamos fazer é encontrar maneiras de diminuir sua influência dentro da organização e tentar construir elementos mais moderados.”

Na prática, a vontade da administração de imaginar um novo papel para o Hezbollah no Oriente Médio, combinada com o desejo de uma solução negociada para o programa nuclear do Irã, traduziu-se numa relutância em avançar agressivamente contra os principais agentes do Hezbollah, de acordo com os membros do Projeto Cassandra entre outros.

Ali Fayad — (aka Fayyad). Comerciante de armas baseado na Ucrânia suspeito de ser um operador do Hezbollah movimentando grandes quantidades de armas para a Síria.

O negociante de armas Libanês, Ali Fayad, um suspeito, e alto funcionário do Hezbollah, que os agentes acreditavam que se reportava ao Presidente Russo Vladimir Putin como um fornecedor chave de armas para a Síria e o Iraque, foi preso em Praga na primavera de 2014. Mas durante quase dois anos, quando Fayad esteve sob custódia, top funcionários da administração Obama se recusaram a exercer uma séria pressão sobre o governo Tcheco para extraditá-lo aos Estados Unidos, mesmo quando Putin pressionava agressivamente contra isso.

Fayad, que tinha sido indiciado nos tribunais dos Estados Unidos por acusações de planejar assassinatos de funcionários do governo dos EUA tentando fornecer apoio material a uma organização terrorista e tentando adquirir, transferir e usar mísseis antiaéreos, foi enviado para Beirute. Funcionários dos EUA acreditam que ele agora está de volta aos negócios, e ajudando a armar militantes na Síria e em outros lugares com armas pesadas da Rússia.

26 de Março de 2014
Acusação de Ali Fayad
A acusação alega que Fayad, juntamente com seus co-conspiradores, concordou em fornecer às FARC armas para matar oficiais dos EUA e Colombianos.

Os membros do Projeto Cassandra dizem que funcionários da administração também bloquearam ou minaram seus esforços para perseguir outros agentes do alto escalão do Hezbollah, incluindo um, apelidado de ‘Ghost’ (trad., fantasma), permitindo que permanecesse ativo apesar de ter sido acusado por alguns anos. Pessoas familiarizadas com seu caso dizem que o Ghost foi um dos maiores traficantes de cocaína do mundo, inclusive para os EUA, e também um importante fornecedor de armas convencionais e químicas para uso do Presidente Sírio, Bashar Assad, contra seu povo.

Abdallah Safieddine — O enviado de longa data do Hezbollah ao Irã, que supostamente supervisionou o “Componente de Negócios” do grupo envolvido no tráfico internacional de drogas.

E quando os agentes do Projeto Cassandra e outros investigadores procuraram repetidamente investigar e processar Abdallah Safieddine, o enviado de longa data do Hezbollah ao Irã, que o consideraram o pivô da rede criminal do Hezbollah, o Departamento de Justiça recusou, de acordo com quatro ex-funcionários com conhecimento completo sobre os casos.

A administração também rejeitou os esforços repetidos dos membros do Projeto Cassandra para processar a ala militar do Hezbollah, como uma empresa criminosa em curso, sob o estatuto federal do crime organizado estilo Máfia, dizem os membros da força-tarefa. E eles alegam que os funcionários da administração se recusaram a designar o Hezbollah como “uma organização criminosa transnacional significativa” e bloquearam outras iniciativas estratégicas que dariam à força tarefa ferramentas jurídicas adicionais, dinheiro e mão-de-obra para lutar contra ela.

Os ex-funcionários da administração Obama recusaram-se a comentar casos individuais, mas observaram que o Departamento de Estado condenou a decisão Tcheca de não entregar Fayad. Vários deles, falando sob anonimato, disseram que foram orientados por objetivos políticos mais amplos, incluindo a escalada do conflito com o Irã, restringindo o seu programa de armas nucleares e liberando pelo menos quatro prisioneiros Americanos detidos por Teerã e que alguns esforços de aplicação da lei foram, sem dúvida, limitados por essas preocupações.

Mas os antigos funcionários negaram que tivessem interrompido qualquer ação contra o Hezbollah ou seus aliados Iranianos por razões políticas.

“Houve um padrão consistente de ações contra o Hezbollah, tanto por sanções difíceis quanto por ações de aplicação da lei antes e depois do acordo do Irã”, disse Kevin Lewis, porta-voz de Obama que trabalhou na administração da Casa Branca e no Departamento de Justiça.

Lewis, falando pelo governo Obama, forneceu uma lista de oito prisões e processos judiciais como prova. Ele fez uma nota especial de uma operação em Fevereiro de 2016 onde autoridades Europeias detiveram um número não divulgado de supostos membros de uma unidade especial de negócios do Hezbollah que o DEA diz que supervisionavam e tráfico de drogas e outras empresas criminosas de criação de negócios.

Os funcionários do projeto Cassandra, no entanto, observaram que as prisões Europeias ocorreram após as negociações com o Irã terem terminado e disse que a força-tarefa iniciou as parcerias multinacionais por conta própria, após verem seus casos, durante anos, sendo derrubados pelos departamentos de Justiça e do Estado e outras agencias dos EUA.

O Departamento de Justiça, nunca arquivou acusações criminais correspondentes dos EUA contra suspeitos presos na Europa, incluindo um proeminente empresário Libanês formalmente designado pelo Departamento do Tesouro por usar seus “vínculos diretos com os elementos comerciais e terroristas de Hezbollah” para lavar os envios a granel de dinheiro ilícito à organização em toda a Ásia, Europa e Oriente Médio.

Um antigo alto funcionário de segurança nacional do governo Obama, que desempenhou um papel nas negociações nucleares do Irã, sugeriu que os membros do Projeto Cassandra estavam apenas especulando que seus casos estavam sendo bloqueados por razões políticas. Outros fatores, incluindo a falta de evidências ou preocupações sobre interferência com operações de inteligência, poderiam estar em jogo.

“E se a CIA ou o Mossad tivessem uma operação de inteligência em curso dentro do Hezbollah e estivessem tentando perseguir alguém… contra quem tivemos uma coleção impecável [de inteligência], o DEA não poderia saber disso?”, disse o funcionário. “Tenho a sensação de que pessoas que não sabem o que está acontecendo num universo mais amplo estão se agarrando às migalhas”.

O funcionário acrescentou: “O mundo é muito mais complicado do que visto através da lente estreita do tráfico de drogas. Então, você não vai deixar a CIA dominar o poleiro, e certamente também não vai deixar o DEA fazer isso também. Uma abordagem sobre qualquer coisa tão complicada como o Hezbollah terá que envolver [processos] interagências, porque o Departamento de Estado tem um pedaço da torta, a comunidade de inteligência tem, o Tesouro tem, e o DOD também tem”.

No entanto, outras fontes independentes do Projeto Cassandra confirmaram muitas das alegações em entrevistas com a POLITICO e, em alguns casos, em comentários públicos.

Um funcionário do Tesouro da era de Obama, Katherine Bauer, num testemunho escrito pouco percebido apresentado em Fevereiro passado ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara, reconheceu que “sob a administração Obama… essas investigações [relacionadas ao Hezbollah] foram abafadas por medo de balançar a barco com o Irã e comprometer o acordo nuclear”.

16 de Fevereiro de 2017
Katherine Bauer testemunha da Câmara dos Assuntos Externos
Ex-funcionário do Tesouro critica o governo Obama.

Como resultado, alguns agentes do Hezbollah não foram perseguidos através de prisões, acusações ou designações do Tesouro que teriam bloqueado seu acesso aos mercados financeiros dos EUA, de acordo com Bauer, um funcionário de carreira do Tesouro, que serviu brevemente em seu Escritório de Financiamento do Terrorismo como um assessor sênior de política para o Irã antes de sair no final de 2015. E outros “facilitadores do Hezbollah” presos na França, na Colômbia, na Lituânia não foram extraditados — ou indiciados — nos EUA, ela escreveu.

Bauer, em entrevista, recusou-se a elaborar seu testemunho.

David Asher — Um especialista em finanças ilícitas dos EUA, enviada do Pentágono ao Projeto Cassandra para atacar a suposta empresa criminosa do Hezbollah.

David Asher, por um lado, disse que os funcionários da administração Obama expressaram sua preocupação sobre alienar Teerã antes, durante e depois das negociações do acordo nuclear do Irã. Isso era, disse ele, parte de um esforço para “tornar ineficaz, bloquear o recebimento de fundos e minar as investigações envolvendo o Irã e o Hezbollah”, disse ele.

“Quanto mais próximos chegávamos ao [acordo do Irã], mais essas atividades se afastavam, disse Asher. “Tanto da capacidade, seja nas operações especiais, seja na aplicação da lei, seja nas designações [Tesouraria] — até mesmo na qualidade do pessoal designado para essa missão — foram drenados assiduamente, quase até a última gota, até o final da administração Obama”.

Com muita fanfarra, Obama anunciou o acordo final sobre a implementação do acordo com o Irã em 17 de Janeiro de 2016, no qual Teerã prometeu suspender os esforços para construir um programa de armas nucleares em troca de libertação de sanções econômicas internacionais incapacitantes.

John “Jack” Kelly — agente do DEA que supervisiona os casos do Hezbollah na Divisão de Operações Especiais, e que nomeou a força-tarefa do Projeto Cassandra após confrontos com outras agências dos EUA sobre os links de terrorismo do Hezbollah.

Em meses, disseram os funcionários da força-tarefa, o Projeto Cassandra estava quase morto. Alguns dos funcionários mais importantes, incluindo Jack Kelly, o agente de supervisão veterano do DEA que criou e liderou a força-tarefa, foi transferido para outras atribuições. E o próprio Asher deixou a força-tarefa muito antes disso, depois que o Departamento de Defesa disse que seu contrato não seria renovado.

Como resultado, o governo dos EUA perdeu a visão não só do tráfico de drogas e outras atividades criminosas em todo o mundo, mas também das conspirações ilícitas do Hezbollah com altos funcionários dos governos Iraniano, Sírio, Venezuelano e Russo — até os Presidentes Nicolas Maduro, Assad e Putin, de acordo com ex-membro da força-tarefa e outros funcionários atuais e antigos dos EUA.

         Nicolas Maduro, Vladimir Putin e Bashar Assad

A paralização do Projeto Cassandra também prejudicou os esforços dos EUA para determinar o quanto de cocaína vindo de várias redes afiliadas ao Hezbollah estava entrando nos Estados Unidos, especialmente via Venezuela, onde dezenas de altos funcionários civis e militares estavam sendo investigados por mais de uma década. Recentemente, o governo Trump designou o vice-presidente do país, um aliado íntimo do Hezbollah e da descendência Libanesa-Síria, como um pivô mundial de narcóticos.

Enquanto isso, o Hezbollah — em aliança com o Irã — continua prejudicando os interesses dos Estados Unidos no Iraque, na Síria e em todo o mundo, da América Latina a África, incluindo o fornecimento de armas e treinamento para milícias Xiitas antiamericanas. E Safieddine, o “Ghost” (fantasma) e outros associados continuam desempenhando  papéis centrais no tráfico de drogas e armas — acreditam as autoridades atuais e antigas.

“Eles eram uma organização paramilitar com importância estratégica no Oriente Médio, e nós assistimos que se tornaram um conglomerado criminoso internacional gerando bilhões de dólares com as atividades mais perigosas do mundo, incluindo programas e exércitos de armas químicas e nucleares porque acreditam que a América é o seu inimigo jurado,” Disse Kelly, agente supervisor do DEA e coordenador principal de seus casos do Hezbollah.

“Se estão violando os estatutos dos Estados Unidos”, perguntou, “por que não podemos levá-los à justiça?”

31 de maio de 2017
Acusação de Samer El Debek
De aproximadamente 2008 a 2015, Debek teria recebido treinamento militar — treinamento de vigilância, explosivos e armas de fogo.

Kelly e Asher estão entre os funcionários envolvidos no Projeto Cassandra, que foram contatados em segredo pela administração Trump e pelos Republicanos do Congresso, que disseram que um relatório especial da POLITICO, de 24 de Abril, sobre as concessões escondidas do Barack Obama contra o Irã levantou questões urgentes sobre a necessidade de ressuscitar os programas-chave de aplicação da lei para combater o Irã.

Isso não será fácil, de acordo com o ex-membro do Projeto Cassandra, mesmo com o recente voto do Presidente Donald Trump de reprimir o Irã e o Hezbollah. Eles disseram que tentaram manter o projeto em apoio a vida, na esperança de que seja revivido pela próxima administração, mas a perda de pessoal-chave, cortes orçamentários e investigações descartadas são apenas alguns dos muitos desafios complicados pela passagem de quase um ano desde que Trump assumiu o cargo.

“Você não pode deixar essas coisas se desintegrarem”, disse Kelly. “Fontes evaporam. Quem sabe se podemos encontrar todas as pessoas dispostas a servirem de testemunha?”

Derek Maltz — Oficial sênior do DEA que, como chefe da Divisão de Operações Especiais, pressionou pelo apoio ao Projeto Cassandra e suas investigações.

Derek Maltz, que supervisionou o Projeto Cassandra como chefe da Divisão de Operações Especiais do DEA por nove anos, terminando em Julho de 2014, colocou desta forma: “Certamente existem alvos que as pessoas sentem que poderiam ter sido indiciadas e não foram. Certamente, há um argumento a ser feito para que, se amanhã, todas as agencias fossem convidadas a se juntarem e sentarem numa sala e colocarem todas as provas sobre a mesa contra todos esses bandidos, com certeza poderia haver um monte de acusações.”

Mas Maltz disse que o dano causado por anos de interferência política será difícil de reparar.

“Não há dúvida em minha mente agora, que o foco era esse acordo do Irã e nossa iniciativa era como uma mosca na sopa“, disse Maltz. “Nós fomos o trem que descarrilhou”.

O projeto Cassandra teve suas origens numa série de investigações lançadas nos anos após os ataques do 11 de Setembro, que conduziram, através de seus próprios caminhos tortos, ao Hezbollah como suspeita de ser um empreendimento global criminoso.

Operação Titã — Uma investigação conjunta com as autoridades Colombianas numa aliança global de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas entre traficantes Latino-Americanos e operadores Libaneses.

Operação Titã, em que o DEA trabalhou com as autoridades Colombianas para explorar uma aliança global entre lavadores de dinheiro Libaneses e conglomerados Colombianos de tráfico de drogas, era uma. A Operação Perseus, visando sindicatos Venezuelanos, era outra. Ao mesmo tempo, os agentes do DEA na África Ocidental estavam investigando o fluxo suspeito de milhares de carros usados ​​de concessionárias dos EUA para estacionamentos em Benin.

Enquanto isso, no Iraque, os militares dos EUA estavam investigando o papel do Irã para equipar as milícias Xiitas com dispositivos explosivos improvisados ​​de alta tecnologia conhecidos como Penetradores Explosivamente Formados, ou EFPs, que já haviam matado centenas de soldados dos EUA.

Todos esses caminhos eventualmente convergiram ao Hezbollah.

Isso não foi uma surpresa, dizem os agentes. Durante décadas, o Hezbollah — em estreita cooperação com a inteligência Iraniana e a Guarda Revolucionária — trabalhou com militantes em comunidades Libanesas em todo o mundo para criar uma rede de empresas que eram há muito, suspeitas de serem frentes para o mercado negro. Ao longo das mesmas rotas que transportavam frangos congelados e produtos eletrônicos de consumo, essas empresas movimentavam armas, dinheiro lavado e até peças adquiridas para os programas ilícitos de mísseis nucleares e balísticos do Irã.

Ao perseguir suas investigações, os agentes do DEA descobriram que o Hezbollah estava redobrando todos esses esforços, trabalhando com urgência para levantar dinheiro, e muito disso, para reconstruir a fortaleza do Líbano do Sul depois da guerra em 2006 depois que Israel reduziu a escombros.

Datado de sua criação no início dos anos 80, o Hezbollah, que se traduz em “Festa de Deus” [sic], também se envolveu com o “narcoterrorismo”, cobrando uma tarifa dos traficantes de drogas e outros fornecedores de mercado negro que operavam em território que controlavam no Líbano e em outros lugares. Agora, com base na extensa rede de informantes do DEA, agentes secretos e escutas telefônicas, parece que o Hezbollah mudou de tática e se envolveu diretamente no comércio global de cocaína, de acordo com entrevistas e documentos, incluindo uma avaliação confidencial do DEA.

“Foi como se eles tivessem ligado um motor”, disse Kelly à POLITICO. “De repente, reverteram o fluxo de toda a atividade do mercado negro que estavam taxando há anos e assumiram o controle da operação”.

Operando como uma família do crime organizado, os operários do Hezbollah identificam empresas que podem ser rentáveis ​​e úteis como coberturas para o tráfico de cocaína e compram participações financeiras nelas, disse Kelly e outros. “E se o negócio for bem-sucedido e adequado às suas necessidades atuais”, disse Kelly, “eles passam de proprietários parciais para proprietários majoritários, para parceria completa ou aquisição”.

O Hezbollah até criou uma unidade financeira especial chamada de “Componente de Assuntos de Negócios”, para supervisionar a operação criminosa em expansão, e foi administrada pelo terrorista mais procurado do mundo depois de Osama bin Laden, um comandante militar notoriamente cruel do Hezbollah chamado Imad Mughniyeh, de acordo com entrevistas e documentos do DEA.

Imad Mughniyeh — um mentor do Hezbollah que supervisionou as operações internacionais, diz o DEA, seu tráfico de drogas, como chefe da ala militar, a Organização Jihad Islâmica.

Mughniyeh tinha sido durante décadas o rosto público do terrorismo para os Americanos, orquestrando o infame ataque que matou 241 fuzileiros navais dos EUA em 1983 em seus quartéis no Líbano e dezenas de Americanos em ataques à embaixada dos EUA em Beirute nesse ano e um anexo no ano seguinte. Quando o Presidente Ronald Reagan respondeu aos ataques retirando as tropas de manutenção da paz do Líbano, o Hezbollah conquistou uma grande vitória e saltou para a vanguarda do movimento de resistência Islâmica contra o Ocidente.

Ao longo dos próximos 25 anos, o apoio financeiro e militar do Irã ao Hezbollah permitiu que acumulassem um exército com dezenas de milhares de soldados de infantaria, armamentos mais pesados ​​do que a maioria dos estados-nação e aproximadamente 120,000 foguetes e mísseis balísticos que poderiam atacar os interesses de Israel e dos EUA na região com precisão devastadora.

Hezbollah tornou-se um especialista em soft power, também. Forneceu comida, assistência médica e outros serviços sociais para refugiados famintos no Líbano, devastado pela guerra, ganhando credibilidade na área. Em seguida, evoluiu para um poderoso partido político, lançando-se como o defensor dos pobres, principalmente Libaneses Xiitas contra as elites Cristãs e Sunitas e Muçulmanas. Mas, mesmo quando o Hezbollah estava se mudando para a política dominante Libanesa, Mughniyeh estava supervisionando uma expansão secreta de sua ala terrorista, a organização da Jihad Islâmica. Trabalhando com agentes de inteligência Iranianos, a Jihad Islâmica continuou atacando alvos Ocidentais, Israelenses e Judeus em todo o mundo e conduziu vigilância sobre outros — inclusive nos Estados Unidos — se preparando para futuros ataques.

O Hezbollah deixou os Estados Unidos de lado, o que claramente foi uma decisão estratégica para evitar a retaliação dos Estados Unidos. Mas até 2008, o governo Bush chegou a acreditar que a Jihad Islâmica era a organização terrorista mais perigosa do mundo, capaz de lançar ataques instantâneos, possivelmente com armas nucleares químicas, biológicas ou de baixo grau, que enfraqueceriam as do 11 de Setembro.

Ao financiar o terrorismo e as operações militares através do tráfico mundial de drogas e do crime organizado, a unidade de negócios de Mughniyeh dentro da Jihad Islâmica tornou-se a encarnação do tipo de ameaça que os Estados Unidos estavam lutando para resolver no mundo pós-11 de Setembro.

O DEA acreditou que era lógico a agencia de segurança nacional dos EUA liderar um esforço interagências para ir atrás das redes de tráfico de drogas de Mughniyeh. Mas, dentro do múltiplo dispositivo de segurança nacional dos EUA, essa era uma asserção questionável e problemática.

Estabelecido pelo Presidente Richard Nixon em 1973 para reunir os vários programas antidrogas no âmbito do Departamento de Justiça, o DEA era uma das mais novas agências de segurança nacional dos EUA.

E enquanto o DEA rapidamente se mostrou habilitado para trabalhar no cenário global — especialmente em parcerias com países infestados de drogas desesperados por ajudar os EUA como a Colômbia — poucas pessoas no governo dos EUA pensaram nisso como uma força legítima de contraterrorismo.

Viktor Anatolyevich Bout — O negociante de armas de Vladimir Putin, conhecido como “Senhor da Guerra”. Condenado por conspiração por vender milhões de dólares em armas aos narcoterroristas Colombianos…

Nos últimos anos da administração Bush, porém, o DEA ganhou o apoio dos altos funcionários para derrubar dois grandes traficantes de armas internacionais, um Sírio chamado Monzer al-Kassar e o “Senhor da Guerra” Russo, Viktor Bout. E graças ao apoio dos Republicanos no Congresso, tornou-se o beneficiário de uma nova lei federal que capacitou seu grupo de agentes de operações especiais de armas de assalto.

O estatuto permitiu que os agentes do DEA operassem praticamente em qualquer lugar, sem a permissão necessária de outras agências dos EUA. Tudo o que eles precisavam fazer era conectar os suspeitos de drogas ao terrorismo, e então poderiam prendê-los, levá-los de volta aos Estados Unidos e lançá-los num esforço para penetrar “os níveis mais altos das organizações criminosas mais importantes e notórias do mundo”, como o  — chefe das operações especiais Derek Maltz.

À medida que crucificavam as quantidades maciças de inteligência no Centro de Operações Contra o Narcoterrorismo do DEA em Chantilly, Virgínia, os agentes da Operação Titã, Perseus e os outros casos começaram a conectar os pontos e mapear os contornos de uma empresa criminosa abrangente.


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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