SPENCER: KHAYBAR, KHAYBAR

Fonte/Source: Spencer: Khaybar, Khaybar

Photo/Cover (Edited) Credit: PAMELA HALL PHOTOGRAPHY


“Khaybar, Khaybar” está sendo cantada novamente, e agora nos protestos contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Mas o que significa e o que realmente está por trás disso?

Uma coisa é certa, “Khaybar, Khaybar” transcende o fato de Jerusalém ser ou não a capital de Israel. Vamos ao artigo…


SPENCER: KHAYBAR, KHAYBAR

POR ROBERT SPENCER

Publicado originalmente em 9 de Agosto de 2006

No FrontPage Magazine esta manhã, apresentei alguns antecedentes históricos para os eventos atuais:

Enquanto o Hizballah disparava os foguetes Khaibar-1 contra Israel, manifestantes no Kuwaiti recentemente cantavam: “Khaybar, Khaybar, ya Yahoud, jaish Muhammad sa yaoud” — isto é, “Khaybar, Khaybar, ó Judeus, o exército de Muhammad retornará”. (O Kuwait Times traduziu como “Khaybar, Khaybar, ó Sionistas, o exército de Muhammad está chegando” [sic], mas isso provavelmente está higienizado para consumo Ocidental: é improvável que os manifestantes tenham cantado “Sionistas” em vez de “Judeus” — o primeiro não rima em Árabe como o último, e o canto com “Judeus” é bastante comum.) Enquanto isso, na Quinta-feira passada, o Grande Ayatollah Mohammed Hussein Fadlallah, principal clérigo Xiita do Líbano, elogiou o Hizballah por travar uma “nova batalha de Khaibar”.

Relatando as observações de Fadlallah, a AP notou que “em Khaibar, nome de um oásis na atual Arábia Saudita, o profeta do Islã, Muhammad, ganhou uma batalha contra os Judeus no ano 629.” A realidade era um tanto diferente. Como eu explico em meu próximo livro, The Truth About Muhammad (que será lançado em 9 de Outubro pela Regnery Publishing), Muhammad não respondeu a qualquer provocação quando liderou uma força Muçulmana contra o oásis de Khaybar, habitada por Judeus — muitos dos quais ele tinha anteriormente expulsado de Medina.

Um dos Muçulmanos se lembrou mais tarde: “Quando o apóstolo atacava um povoado, esperava até o amanhecer. Se ouvisse um chamada à oração, aguardava; Se não ouvisse atacava. Chegamos a Khaybar de noite, e o apóstolo passou a noite ali; e quando amanheceu, não ouviu o chamado à oração, então cavalgou e nós cavalgamos com ele. “Nós nos encontramos com os trabalhadores de Khaybar saindo pela manhã com suas espadas e cestas. Quando viram o apóstolo e o exército, gritaram, “Muhammad com sua força”, se viraram e fugiram. O apóstolo disse: “Allah Akbar! Khaybar está destruída. Quando chegamos na praça do povoado era uma manhã ruim para aqueles que foram avisados​. — [1]

O avanço Muçulmano era inexorável. “O apóstolo”, de acordo com o primeiro biógrafo de Muhammad, Ibn Ishaq, “confiscou a propriedade peça por peça e conquistou os fortes um a um quando lá chegou”. [2] Outro biógrafo de Muhammad, Ibn Sa “relata que a batalha foi feroz: os “politeístas” ¦ mataram um grande número de Companheiros de [Muhammad] e ele também mandou matar um grande número deles. “¦Ele matou noventa e três homens dos Judeus”¦” [3] Muhammad e seus homens ofereceram a oração fajr, a oração do alvorecer Islâmico, antes da luz do dia, e então entrou em Khaybar. Os Muçulmanos imediatamente se propuseram a localizar a riqueza dos habitantes. Um líder Judeu de Khaybar, Kinana bin al-Rabi, foi levado diante de Muhammad; achavam que Kinana era o encarregado do tesouro das tribos Judaicas da Arábia, a Banu Nadir. Kinana negou, disse que não sabia onde estava o tesouro, mas Muhammad o pressionou: “Você sabe que se descobrirmos que você sabe onde está, eu vou matar você?” Kinana disse que sim, sabia disso.

Uma parte do tesouro foi encontrada. Para encontrar o resto, Muhammad deu ordens sobre Kinana: “Torture-o até que você extraia o que ele tem”. Um dos Muçulmanos construiu uma fogueira no peito de Kinana, mas Kinana não entregava seu segredo. Já quase morto, um dos Muçulmanos o decapitou. [4] A esposa de Kinana foi levada como recompensa de guerra; Muhammad a reivindicou para si e preparou apressadamente uma cerimônia de casamento naquela noite. Mais tarde, naquela noite, ele parou a caravana dos Muçulmanos de Khaybar, a fim de consumar o casamento. [5]

Muhammad concordou em deixar o povoado de Khaybar ir para o exílio, permitindo-lhes manter a maior parte de sua propriedade, o que pudessem transportar. [6] O Profeta do Islã, entretanto, ordenou que deixassem para trás todo o seu ouro e prata. [7] Ele tinha a intenção de expulsar a todos, mas alguns, que eram fazendeiros, o imploraram para permitir que os deixassem ficar caso lhe dessem a metade do seu rendimento anualmente. [8] Muhammad concordou: “Eu permitirei que você continue aqui, enquanto nós assim desejarmos”. [9] Ele os advertiu: “Se quisermos expulsá-lo, nós o expulsaremos”. [10] Eles já não tinham nenhum direito que não dependia da boa vontade e tolerância de Muhammad e dos Muçulmanos. E, de fato, quando os Muçulmanos descobriram alguns tesouros, que alguns dos Judeus de Khaybar havia escondido, ele ordenou que as mulheres da tribo fossem escravizadas e confiscassem as “terras” dos perpetradores. [11] Um hadith observa que “o Profeta matou os guerreiros deles, a sua prole e as mulheres foram levadas como cativas”. [12]

Durante o califado de Umar (634-644), os Judeus que permaneceram em Khaybar foram banidos para a Síria e o resto de suas terras foram confiscadas. [13]

Assim, quando os jihadistas modernos invocam Khaybar, estão fazendo muito mais do que apenas lembrando os dias de glória do Islã e seu profeta. Eles estão recordando uma invasão agressiva e um ataque-surpresa realizado por Muhammad, que resultou na erradicação definitiva da presença Judaica—outrora considerável — na Arábia. Para os jihadistas, Khaybar significa a destruição dos Judeus e a apreensão de seus bens pelos Muçulmanos.

O fato de Khaybar estar sendo repetidamente invocada hoje em dia como um modelo histórico pelo Hizballah deveria ser motivo de grave preocupação para os analistas Ocidentais e formuladores de políticas. Deveria desempenhar um papel significativo nas discussões sobre se e como um cessar-fogo deve ser perseguido, e quanto do Hizballah pode ser tolerado indefinidamente no Líbano.

O problema é que a maioria dos analistas Ocidentais ainda estão comprometidos dogmaticamente com a proposição de que o Islã não tem nada, ou nada importante, a ver com a atual inquietação global, consequentemente se recusam a considerar tais dados.

Os custos dessa cegueira intencional não farão nada além de continuar a subir.


[1] Ibn Ishaq, The Life of Muhammad: A Translation of Ibn Ishaq’s Sirat Rasul Allah, A. Guillaume, translator, Oxford University Press, 1955. P. 511.

[2] Ibid.

[3] Ibn Sa”˜d, Kitab Al-Tabaqat Al-Kabir, S. Moinul Haq and H K. Ghazanfar, translators, Kitab Bhavan, n.d. Vol. II, pp. 132-133.

[4] Ibn Ishaq, p. 515.

[5] Muhammed Ibn Ismaiel Al-Bukhari, Sahih al-Bukhari: The Translation of the Meanings, translated by Muhammad M. Khan, Darussalam, 1997, vol. 1, book 8, no. 371.

[6] Ibn Sa”˜d, vol. II, p. 136.

[7] Ibn Sa”˜d, vol. II, p. 137.

[8] Bukhari, vol. 4, book 57, no. 3152.

[9] Imam Muslim, Sahih Muslim, translated by Abdul Hamid Siddiqi, Kitab Bhavan, revised edition 2000. Book 10, no. 3761.

[10] Ibn Ishaq, p. 515.

[11] Ibn Sa”˜d, vol. II, p. 137.

[12] Bukhari, vol. 5, book 64, no. 4200.

[13] Ibn Sa”˜d, vol. II, p. 142.


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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