JIHAD ATINGE SUFIS

Fonte/Source: The Jihad on Sufism


JIHAD ATINGE SUFIS

Por Raymond Ibrahim

27 de Novembro de 2017

FrontPage Magazine

Na Sexta-feira, 24 de Novembro, cerca de 30 homens armados empunhando a bandeira do Estado Islâmico (ISIS ou ISIL) bombardearam e invadiram uma mesquita Sufi no Sinai do Norte, Egito, a cerca de 125 quilômetros a nordeste do Cairo. Eles conseguiram massacrar pelo menos 305 pessoas, das quais 27 eram crianças. “A cena foi horrível,” disse Ibrahim Sheteewi, uma testemunha ocular. “Os corpos estavam espalhados pelo chão do lado de fora mesquita. Espero que Deus os castigue por isso”.

Esse atentado não só é considerado o ataque terrorista mais letal no Egito, bem como um dos mais estranhos. Como explica o New York Times: “A escala e a crueldade do ataque, em uma área atraída por insurgentes Islâmicos, enviaram ondas de choque em todo o país — não apenas pelo número de mortos, mas também pelo alvo escolhido. Ataques às mesquitas são raros no Egito, onde o Estado Islâmico tem tido como alvo as igrejas e os peregrinos Cristãos Coptas, evitando locais de culto Muçulmano”.

Na verdade, enquanto bombardeios, queima de igrejas e matança de Cristãos no Egito pelas mãos não apenas do ISIS, mas também por Muçulmanos e assassinos, são raramente ocorrências incomuns no Egito, ataques às mesquitas em nome da jihad naturalmente são.

Um clérigo Muçulmano da região que pediu anonimato expressou bem a visão geral: “Não posso acreditar que atacaram uma mesquita”. No Ocidente, esse mesmo choque —“não posso acreditar” — quando terroristas Muçulmanos atacam Muçulmanos, é usado para apoiar o mantra politicamente correto de que grupos terroristas como o Estado Islâmico realmente não tem nada a ver com o Islã — de outra forma não bombardeariam mesquitas e sequer matariam companheiros fiéis a Alá.

Como o ataque ocorreu no final da Sexta-feira, —  e enquanto escrevo, em pleno Domingo, significando que ainda estou neste fim-de-semana — capitalizar essa tragédia como uma forma de distanciar o Islã do terrorismo ainda não começou no Ocidente; mas, se o precedente servir como indicador, rapidamente darão início.

Por exemplo, no ano passado durante os últimos dias do Ramadã, ocorreu uma série de ataques terroristas em Bangladesh, Iraque e Arábia Saudita —  três nações Muçulmanas; os mesmos foram seguidos pela mídia com uma enxurrada de “eu disse que o Islã não era responsável pelo terrorismo”, ou, para citar o Primeiro-ministro do Bangladesh, Sheikh Hasina, “Qualquer pessoa que acredita em religião não pode fazer esse tipo de ato. Eles [Estado Islâmico] não têm religião, sua única religião é o terrorismo”. Falando após o ataque terrorista de San Bernardino que deixou 14 mortos, Barrack Obama concordou: “ISIL não fala pelo Islã. Eles são bandidos e assassinos, parte de um culto à morte… Além disso, a grande maioria das vítimas do terrorismo em todo o mundo são Muçulmanas”. Após os ataques terroristas de Novembro de 2015 em Paris, que deixaram 130 pessoas mortas, o Independent do Reino Unido publicou um artigo intitulado, “Atentado em Paris: ISIS responsável por mais mortes Muçulmanas do que vítimas Ocidentais”. E o Daily Beast argumentou que, “Antes do horror de Paris, o ISIS estava matando Muçulmanos diariamente. Nós, Muçulmanos, desprezamos esses loucos mais do que qualquer outra pessoa… Mas a vítima número um desse grupo terrorista bárbaro são os Muçulmanos. Isso é incontestável.”

Além de distanciar o Islã da violência, — os Muçulmanos reais não devem matar outros Muçulmanos em nome da jihad — este argumento encobre a questão sobre quem é a verdadeira vítima do terrorismo Islâmico: Por que precisamos falar sobre o massacre Muçulmano perpetrado contra os não-Muçulmanos? — sejam eles Ocidentais, Israelenses ou minorias Cristãs sob o Islã — quando os Muçulmanos são as principais vítimas mais merecedoras de simpatia?

O problema com esse argumento, no entanto, é que o Estado Islâmico (ISIS) não vê as suas vítimas como Muçulmanas. Na verdade, os Sunitas, a principal corrente Islâmica, — vertente dominante do Islã no mundo, os quais representam 90 por cento dos Muçulmanos do planeta, incluindo o Estado Islâmico (ISIS ou ISIL), concordam que — todos os não-Sunitas são falsos Muçulmanos; na melhor das hipóteses, são hereges que precisam se submeter ao “verdadeiro Islã”. É assim que a maioria dos Sunitas veem os Xiitas e vice-versa — daí a guerra perene. Enquanto as cabeças falantes Ocidentais tendem a agrupar todos eles como “Muçulmanos” — chegando à conclusão errônea de que o ISIS não é Islâmico porque mata “colegas Muçulmanos” — cada grupo vê o outro como inimigo.

Até mesmo um ditado atribuído ao profeta Muhammad legitima isso: “Esta minha umma [nação Islâmica] será dividida em setenta e três seitas; uma estará no paraíso e setenta e duas estarão no inferno.” Quando perguntado sobre qual delas era a verdadeira, o profeta respondeu: “al-jama’a”, isto é, o grupo que mais literalmente segue o exemplo ou a “suna” de Muhammad.

Geralmente, quando jihadistas Sunitas massacram Xiitas — ou Sufis, Drusos e Bahá’is, — agem sob uma mesma lógica quando matam minorias Cristãs ou cidadãos Europeus, Americanos e Israelenses: todos são infiéis que têm como obrigação abraçar a verdadeira fé, ser subjugado ou morrer.

No que diz respeito aos Sufis em particular, em Janeiro passado, um comandante do ISIS situado no Sinai  ‘delineou’ o ódio do grupo aos Sufis e suas práticas, incluindo veneração de túmulos, matança sacrificial de animais, o qual denominou como ‘uso da magia, especialmente de magia negra e vidência.’” O Estado Islâmico referiu-se ainda ao Sufismo como uma “doença” que precisa ser “erradicada”. Por conseguinte, há um ano, o ISIS decapitou Sulayman Abu Hiraz, um clérigo Sufi com mais de 100 anos de idade, sob a acusação de magia.

O argumento de que o ISIS e outras organizações jihadistas matam outros Muçulmanos não prova nada. Muçulmanos veem matando Muçulmanos sob a acusação de não serem “Islâmicos o suficiente” ou os “tipos” errados de Muçulmanos desde o início do Islã.

Então, o que um não-Muçulmano receptivo, como o infiel Ocidental, pode esperar disso tudo? Na verdade, se por qualquer motivo o ISIS massacrar outros “Muçulmanos”, só validará ainda mais os aspectos supremistas e intolerantes do Sunismo, o qual raramente se limita ao ISIS. Basta olhar para o nossa boa “amiga e aliada”, a Arábia Saudita, cuja religião oficial é o Islã Sunita, e testemunhar o tratamento subumano que as minorias Xiitas experimentam.

No final, é apenas jihad e mais jihad, para todos e distinta.


Tradução: Tião Cazeiro — Muhammad e os Sufis

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